Significados estratégicos da barbárie do Estado Islâmico

25 de Maio de 2015
Por Henry Galsky É até natural o interesse sobre a tomada da cidade histórica síria de Palmira pelo Estado Islâmico. Suas ruínas exercem especial fascínio em função de sua história. A perspectiva de destruição de mais este sítio arqueológico reafirma a barbárie já conhecida do EI. Mas, sob o ponto de vista estratégico, a conquista de Ramadi, no Iraque, é muito mais relevante. Há muitos fatores para além de mais essas conquistas do EI e vale pontuá-los aos poucos.

Ramadi está a apenas 130 quilômetros de distância da capital Bagdá. A província de al-Anbar, onde está a cidade, já é em boa parte controlada pelo grupo terrorista sunita. Al-Anbar, como se pode ver no mapa, é a parte ocidental do território iraquiano e faz fronteira com Síria, Jordânia e Arábia Saudita. A importância da região é evidente. 

Há outros aspectos que devem ser analisados mais profundamente nessas conquistas recentes, mas não pretendo me estender sobre eles neste momento. O fato é que, aos poucos, a ineficiência internacional está permitindo que o Estado Islâmico deixe de ser exclusivamente um grupo terrorista que controla grandes porções de território sírio e iraquiano para se transformar num Estado de fato. 

O EI está organizado administrativamente a ponto de manter estrutura sobre o cotidiano – governa escolas, hospitais, cobrança de impostos e seu próprio sistema judiciário. Isso sem falar na força militar. Em tempo recorde, o grupo já conseguiu o que outros movimentos paralelos a Estados nacionais (inseridos dentro de Estados nacionais ou rivais a eles) demoraram a alcançar, caso do Hezbollah no Líbano e do Hamas em Gaza, por exemplo.

Há muitas diferenças entre esses três grupos, mas é importante notar uma estratégia distinta e relevante: Hamas e Hezbollah sempre buscaram legitimidade internacional a partir da luta contra Israel, um Estado nacional constituído. O EI exerce na prática o que repete em discurso sem qualquer tentativa de disfarce: não respeita qualquer fronteira internacional. É claro que Hezbollah e Hamas mantêm a posição de ambicionar a destruição de Israel (muito embora, na prática, saibam que esta é uma impossibilidade). O Estado Islâmico não reconhece os limites internacionais de forma mais ampla e pretende subverter o sistema internacional como um todo.