A morte de Mulá Omar pode abrir caminho para o EI no Afeganistão

30 de Julho de 2015
Por Henry Galsky A morte do Mulá Omar, um dos homens mais procurados do século 21, está aparentemente confirmada. A imprensa internacional tem se dedicado a descobrir se, de fato, um dos principais nomes do Talibã está realmente morto. Há mais elementos relevantes nesta história, principalmente porque as implicações de sua morte podem mudar novamente as perspectivas para a resolução dos conflitos no Afeganistão. 

Líder supremo do Talibã, Mulá Omar esteve envolvido até o fim de sua vida (teoricamente ele está mesmo morto) nos destinos do Afeganistão. Isso não significa de nenhuma maneira que se tratava de uma pessoa com boas intenções, apenas de uma constatação pragmática. Em meados de julho, declarou apoio às negociações entre o Talibã e o governo afegão. Este é ainda o melhor caminho para solucionar a situação. 

Mulá Omar não havia abandonado o terrorismo ou mudado suas convicções pessoais. Mas fez sua própria interpretação da realidade regional e da atuação dos grupos terroristas presentes no território – e que concorrem com o Talibã na tentativa de determinar os destinos do Afeganistão. Indiretamente, travou disputa retórica com o Estado Islâmico ao defender as negociações com o governo afegão. Antes que isso possa ser considerado um gesto rumo à democracia laica, Omar considerava que o país deveria estabelecer um “sistema islâmico independente”. Em resposta, o EI publicou em seu site que “as forças jihadistas (internacionais) deveriam apoiar o califado de Abu Bakr al-Baghdadi (líder do EI) e não a liderança regional de Mulá Omar”.  

Vários membros da cúpula do Talibã abandonaram o grupo e se juntaram ao EI. Mulá Omar percebeu este movimento e, ao que parece, concluiu que não estava em posição de bancar empreitadas mais ousadas do grupo. O apoio às negociações com o governo possivelmente tem origem neste raciocínio. Abrir mão de missões regionais mais amplas e garantir postos de liderança – e até mesmo o controle parcial do Afeganistão – seria a única saída para a manutenção da própria relevância diante do forte apelo causado pelo Estado Islâmico, que reivindica o monopólio do terrorismo global e se percebe como o destino final, e natural, do próprio jihadismo. A morte de Mulá Omar pode deixar o caminho ainda mais livre ao EI no Afeganistão.