Atentados na Indonésia e as Olimpíadas no Rio de Janeiro

14 de Janeiro de 2016
Por Henry Galsky Já se imagina, neste momento, que os ataques desta quinta-feira em Jacarta, na Indonésia, reproduzam o mesmo modelo dos atentados terroristas de Paris, em novembro do ano passado. A tática de terrorismo global está em pleno curso. 

Entre o final de 2015 e o início deste ano, as ações do Estado Islâmico – realizadas por equipes ou pelos chamados “lobos solitários” – já aconteceram na França, EUA, Turquia e Indonésia. Há mortos americanos, franceses, canadenses, argelinos, alemães, indonésios, turcos – isso sem mencionar os sírios cujo país está parcialmente ocupado pelo grupo. A cada novo território, a cada novo ataque, o caminho mais óbvio é buscar relações entre o EI e o alvo da vez. Isso já não é mais suficiente. 

Por mais que seja até natural tentar fazer associações, é preciso entender a mensagem mais ampla: não há lugar seguro. Não se trata de alarmismo, mas da compreensão da mudança de paradigma. 

O EI hiperbolizou o conceito de “franquia” terrorista que nasceu junto com a al-Qaeda no início deste século. Como principal “marca” do terrorismo internacional, o EI quer se fazer presente – e “espetacular” – com ações globais. Restringir-se ao projeto de criação do “Califado” no Oriente Médio é pouco. A ideia é pôr em prática ações de impacto internacional. 

Isso torna qualquer ponto do planeta um alvo em potencial. Inclusive o país de maior população muçulmana do mundo, caso da Indonésia. O que aconteceu em Jacarta é um novo aviso aos que buscavam alguma coerência nas ações do grupo. O EI quer se expandir e, para isso, precisa provocar dano e insegurança globais.

Até este momento, permanecia cético em relação à possibilidade de atentados durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Agora penso justamente o oposto. Para os que ainda duvidavam, os eventos dos últimos três meses deixaram claro que o grupo terrorista não têm limites ou – pensamento ainda mais inocente – mantém laços de “simpatia” com qualquer filiação religiosa e determinados Estados nacionais. Os jogos olímpicos no Rio de Janeiro reúnem os elementos que o EI persegue com voracidade: grande exposição midiática, alvos de diversas nacionalidades e fragilidade de segurança.