Resultados eleitorais no Brasil e suas conexões internacionais – parte I

06 de Outubro de 2016
Por Henry Galsky Por mais que agora, depois dos resultados eleitorais, haja certo consenso sobre a rejeição aos políticos tradicionais, vale dizer que esta não é uma ideia original brasileira. Ou, pelo menos, esses resultados não ocorreram de maneira isolada nos municípios brasileiros nem representam de nenhuma forma um fenômeno que se inicia e se conclui por aqui. 

A rejeição aos políticos tradicionais é uma extensão de uma série de movimentos globais que têm capilaridade em função das novas configurações da experiência humana a partir da aproximação permitida pelas chamadas redes sociais. A rejeição aos políticos é a forma como os brasileiros e parte da população global encontraram de reagir ao que se convencionou chamar de rejeição à política de maneira mais ampla. 

Por sua vez, este movimento de antítese à política está relacionado a eventos marcantes do início do século 21, notadamente a grave crise econômica que atingiu especialmente Europa e EUA a partir de 2008. A crise econômica originada a partir da ampla oferta de crédito em território americano e da explosão da bolha imobiliária está relacionada, por sua vez, aos grandes gastos do governo americano no Iraque e no Afeganistão e dos recursos financeiros aportados no país pelas economias de Reino Unido e China, principalmente. 

A crise que se espalhou por EUA e Europa encontrou duas frentes de reação: na Europa, o recrudescimento dos movimentos nacionalistas e da aceitação de seu discurso por parte da população do continente: rejeição aos imigrantes (e agora aos refugiados) e a ideia de que reforçar laços internacionais representa a grande ameaça à manutenção da economia e dos empregos nacionais. Este discurso encontra eco em alguns dos principais atores europeus, especialmente França, Itália e Grã-Bretanha. O chamado “Brexit” (referendo popular que culmina com a saída do Reino Unido da União Europeia) é resultado direto desta onda de acontecimentos. 

Também na Europa, nos EUA e no Oriente Médio, outra reação à crise econômica tomou caminho distinto; o nascimento dos movimentos que ficaram conhecidos como “Occupy”. Parte da sociedade americana e europeia decidiu contestar os grandes lucros bancários mesmo diante da crise (causada em boa parte pelos próprios bancos e pela parceria do setor com o governo) e a ideia estabelecida (especialmente nos EUA) de que a autorregulamentação do mercado é ferramenta suficiente para estabelecer limites de atuação a este mesmo mercado. 

Naturalmente, esses dois grandes movimentos globais (“Occupy” e nacionalismo) seguiram caminhos particulares quando absorvidos pelas mais distintas sociedades e culturas.  Inclusive no Brasil. 

Continua no próximo texto.