Nas eleições de 2018, Putin continua a ser favorito

28 de Março de 2017
Por Henry Galsky O presidente russo, Vladimir Putin, passará por mais um teste nas eleições do ano que vem. No final de semana, no entanto, pôde ter uma prévia a partir da manifestação das ruas. Cerca de 25 mil pessoas se encontraram na estátua em homenagem ao poeta Alexander Pushkin para protestar contra alegações de enriquecimento do primeiro-ministro (e protegido de Putin) Dmitri Medvedev. É preciso observar que 25 mil pessoas não representam uma amostra significativa considerando-se apenas o fator numérico. Mas não se trata apenas disso, até porque o evento marca uma das maiores manifestações não autorizadas pelo governo nos últimos anos. 

As investigações sobre este suposto patrimônio de Medvedev (que incluiriam casas e iates) foram conduzidas não pela polícia, mas pelo chamada Fundação Anticorrupção criada por Alexei Navalny, opositor ao regime e provável candidato nas eleições de 2018. Ignorado pela imprensa oficial, este movimento contra Putin representa mais uma história conturbada de oposição num país que tem tratado com violência dissidentes políticos, militantes e jornalistas. 

No entanto, é importante deixar claro que os números ainda mostram um grande apoio ao presidente, em torno de 80% de aprovação. Naturalmente, esta estatística é questionada por Navalny e outros opositores, mas é preciso entender a origem do sucesso de Putin mesmo quando são evidentes as estratégias de permanência no poder e alternância simulada entre ele e o parceiro Medvedev. 

Quando assumiu o cargo pela primeira vez em 2000, Putin encontrou um país assolado pela corrupção generalizada fruto do fim da União Soviética e da sanha sobre o grande patrimônio de um estado forte que deixou de existir de uma hora para outra. Nos dez primeiros anos após o fim do comunismo, os russos patinavam diante da promessa de um capitalismo que não era capaz de trazer benefícios à população comum e assistiam ao nascimento de uma classe de milionários que depredava e se apropriava das heranças do gigantesco aparato soviético. 

Putin iniciou mudanças profundas que permitiram ao país retomar crescimento econômico, ter estabilidade política e recriar a mitologia que encanta os russos, a ideia de que a Rússia ainda é grande. E Putin está mesmo fazendo isso agora, principalmente no Oriente Médio. 

Em 1992, ano seguinte ao fim da URSS, o PIB da Rússia foi negativo em 14,53%. Em 2000, quando Putin foi eleito, o PIB foi positivo em 10%. Desde então, em todos esses anos de governo, apenas em dois houve retração da economia: 2009 e 2015. 

O principal aspecto que explica o culto à personalidade de Putin é sua capacidade de não representar claramente aliança com nenhuma corrente ideológica ao mesmo tempo em que se transforma num símbolo parcial de todas elas. É defensor do Estado forte, mas não é comunista, permite a existência de livre mercado, mas impõe limites. E conseguiu recolocar a Rússia no mapa da geopolítica novamente. 

Não canso de analisar por aqui a nova inserção do país como protagonista e patrão do novo Oriente Médio. Isso sem falar na vitória de Putin nas eleições presidenciais americanas e o temor com que as democracias europeias passaram a interpretar a atuação internacional do Kremlin. Para parte da população russa, este é um sinal de retomada da grandiosidade perdida em razão do fim da URSS. 

Tudo isso explica em boa medida as expectativas do atual governo de que nas eleições de 2018 Putin obtenha ao menos 70% dos votos. É um índice considerado alto em qualquer democracia do mundo. Mas, para um regime que conseguiu influenciar as eleições americanas, o céu é o limite.