O início do fim de um governo sem representatividade

19 de Maio de 2017
Por Henry Galsky É o fim de um governo que alcançou o poder com três grandes objetivos: o primeiro deles, conter a Operação Lava Jato e salvar os membros da velha política; realizar as reformas trabalhista e previdenciária que jamais conquistariam a chancela popular em eleições diretas; e interromper o desenvolvimento de um ciclo de política internacional que procurava criar novas articulações e transformar o país em protagonista e líder de um novo eixo de poder global. 

A disputa entre Polícia Federal e classe política continua a ser vencida pelos policiais, muito embora a PF seja subordinada ao Ministério da Justiça e, portanto, ao Poder Executivo.

Sempre escrevo por aqui uma velha máxima do sábio Ulysses Guimarães: “o que mete medo em político é o povo na rua”. A rua hoje está em toda a parte, inclusive nos telefones celulares. As velhas oligarquias políticas bastante representadas pelo atual governo de senhores brancos simplesmente falharam porque não conseguem compreender que as velhas táticas de alijamento, exclusão e disfarce não funcionam mais. Este é o grande recado do momento.

Este governo se apoderou dos cargos imaginando ser possível interromper as investigações. E por isso recebeu apoio irrestrito do Congresso mais corrupto da história brasileira. Não foi possível. O senador Romero Jucá – membro da cúpula do PMDB – deixou isso muito claro em seu diálogo com o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado:  “Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel... É botar o Michel, num grande acordo nacional (...), é, delimitava onde está, pronto”.

Funcionou por pouco tempo. E, naturalmente, já em perspectiva, a este governo está destinado o lixo da história do país.  O acordo de Jucá não vingou porque a velha política imaginava que satisfazer a sanha contra Dilma, Lula e o PT seria o bastante para angariar a simpatia da classe média. E, já no poder, frear a Lava Jato seria simples. Mas, neste mundo hiperconectado, ninguém queria ser o portador desta notícia à sociedade. Era preciso interromper as investigações sem se expor. Mas como não se expor hoje? Como não se expor depois de tantas articulações e acordos firmados na calada da noite?

Temer se precipita a caminho da queda vítima do próprio veneno e até de certa inocência (inexplicável a alguém que habilmente derrubou a companheira de chapa). Usou a Lava Jato, grampos e vazamentos seletivos para trair Dilma. Acabou morto pelas próprias armas.