Benjamin Netanyahu na berlinda

08 de Agosto de 2017
Por Henry Galsky Em março deste ano, publiquei um texto comentando sobre a possibilidade da convocação de novas eleições em Israel. Esta é uma perspectiva de futuro novamente, mas por razões distintas. Ari Harow, ex-aliado de Benjamin Netanyahu, chegou a um acordo autorizado pela Procuradoria Geral de Israel e será testemunha de Estado contra o primeiro-ministro em dois casos de corrupção.

Netanyahu é investigado pela polícia israelense por alegações envolvendo suborno, fraude e quebra de decoro. O primeiro-ministro acabou se aliando ao magnata americano Sheldon Adelson, proprietário de cassinos nos EUA e que, em Israel, opera o jornal gratuito Israel Hayom. Ao contrário dos veículos pagos, o diário costuma ser elogioso ao primeiro-ministro.

No entanto, a polícia empreendeu investigação mostrando que o próprio Bibi teria tentado se aliar a seu inimigo histórico Arnon Mozes, proprietário do jornal mais popular do país, o Yediot Aharonot, prometendo se esforçar para impedir a circulação gratuita do suplemento de final de semana do Israel Hayom em troca de cobertura mais favorável por parte de seu jornal.

Há também uma série de episódios mal explicados de troca de favores com empresários. Além desta acusação sobre a abordagem a Arnon Mozes, chamada de Caso 2000, há o Caso 1000 (acusação de recebimento de presentes de doadores ricos), e o Caso 3000 (investigação sobre o envolvimento pessoal de Netanyahu durante o processo de compra de três submarinos alemães).

Citada pelo Jerusalem Post, a ministra de Justiça, Ayelet Shaked, explica que, mesmo com as acusações sendo investigadas, Benjamin Netanyahu não está obrigado a renunciar. Isso ocorreria apenas ao final do processo caso o primeiro-ministro for considerado culpado. No entanto, esta não é uma situação com consequências restritas ao campo jurídico.

Num sistema parlamentarista como o israelense, a ideia de derrubar o governo pode ganhar força, a depender do termômetro da opinião pública. Ao contrário do presidencialismo, o processo pode ser encurtado, especialmente se houver pressão popular.
Caso as acusações contra o primeiro-ministro ganhem força e as ruas, dificilmente os partidos que hoje compõem a base do governo se arriscariam politicamente apenas para manter Netanyahu no cargo, principalmente se as alegações de Ari Harow ficarem evidentes a partir do trabalho da polícia.

É importante mencionar a força política de Netanyahu, que hoje está em seu quarto mandato. Se tiver habilidade para se sustentar no cargo – força que já mostrou em ocasiões anteriores – o inquérito contra ele pode causar uma cisão profunda entre seus partidários e o restante da sociedade israelense. O ponto fundamental desta vez é que a acusação parte de um ex-aliado do primeiro-ministro.