A escalada para o vazio de EUA e Coreia do Norte

18 de Agosto de 2017
Por Henry Galsky A situação de escalada dos discursos hostis entre EUA e Coreia do Norte é tão imprecisa que não se sabe nem o que se imagina como vitória na concepção americana. Ou melhor, a derrota sobre o regime norte-coreano de acordo com a premissa de Donald Trump não deve se concretizar. Presidentes americanos têm se sucedido na Casa Branca e, sempre que possível, procuram em algum momento de seus mandatos acabar com o programa nuclear do país asiático. Este é o conceito de vitória ideal, mas não aconteceu até hoje e é improvável que venha a se tornar realidade no futuro próximo. 

No entanto, quando a liderança americana é personificada por Donald Trump, é possível imaginar que as divergências entre os dois países se aprofundem. Não apenas por Trump ser um presidente imprevisível e mandar recados a um regime que por definição é imprevisível, mas porque a questão norte-coreana demanda mais do que qualquer outra diretrizes e análises muito claras. Não é o que acontece sob esta presidência americana. 

Para ser justo com a atual administração em Washington, confusão, imprecisão, imprevisibilidade e falta de clareza não são características destinadas apenas à crise com a Coreia do Norte, mas, de forma coerente, estão presentes em todas as áreas do governo. 

Na situação específica das ameaças da Coreia do Norte a Guam, território americano no Pacífico, há ainda mais motivos para confusão – muitos desses motivos provocados pelo regime de Kim Jong Un. A ideia era lançar mísseis que sobrevoassem o Japão por pouco mais de um segundo e caíssem entre 30 e 40 quilômetros de distância da costa de Guam. 

Se a intenção era mandar um recado aos americanos, talvez Kim Jong Un tenha alcançado seus objetivos: alarmar os aliados dos EUA na Ásia (Japão e Coreia do Sul) e reafirmar a indisposição de interromper ou abrir mão de seu programa nuclear. O problema para os norte-coreanos é que eles podem ter decidido apostar alto, principalmente quando os americanos têm um presidente pouco disposto a interpretar mensagens subliminares. 

A configuração internacional – especialmente na Ásia e no Oriente Médio – está tão alterada que coube ao governo russo pedir razoabilidade na busca por soluções. Diante da improbabilidade de consenso, a tendência é que os envolvidos baixem o tom e tentem cada um a seu modo encontrar o que se chama de saída honrosa. 

Kim Jong Un tem controle da comunicação e da opinião pública. E vai dizer que venceu os adversários ao provocar temor nos americanos. Trump, por sua vez, parece achar seu caminho de saída por meio do Twitter ao dizer que Kim Jong Un “tomou uma decisão muito sábia e fundamentada” ao optar por não lançar os mísseis em direção a Guam. No final, pelo menos até o momento, a disputa entre EUA e Coreia do Norte é um jogo de soma zero.