Crise da Coreia do Norte: ausência de estratégia e divisão

05 de Setembro de 2017
Por Henry Galsky A situação de impasse na Península Coreana é apresentada ao Ocidente de modo maniqueísta. A teoria é até muito simples: os únicos aliados ao regime norte-coreano são os chineses, com os quais Pyongyang realiza 90% de suas trocas comerciais. Sem a China, não há Coreia do Norte. Dado concreto. 

Ao mesmo tempo, a China tem pedido calma às partes envolvidas. Estamos tratando da China, o mesmo país que não possui imprensa livre, democracia e poderes independentes entre si. O gigante econômico que possui PIB correspondente a 18% da economia mundial, o chão de fábrica do planeta que, entre 1989 e 2017, cresceu anualmente a uma média de 9,71%. São índices tão absurdos que se traduzem em ausência de legislação trabalhista ou direitos mínimos. Isso sem entrar no terreno das muitas outras restrições. 

A China, que mantém a Coreia do Norte de pé, não tem qualquer interesse numa guerra nuclear. O mesmo vale para os vizinhos e adversários poderosos Japão e Coreia do Sul. Os EUA, distantes, também estão no alvo de Kim Jong Un, que, apenas neste ano, testou mais mísseis do que seu pai e antecessor Kim Jong Il durante todo o seu mandato (1994 a 2011). 

A aliança entre EUA, Japão e Coreia do Sul e mais a chancela da China já seriam suficientes para dobrar os norte-coreanos e levá-los a interromper a escalada de testes. Mas isso não acontece basicamente porque Ocidente e Oriente estão divididos. Além disso, Coreia do Sul e Japão também têm suas próprias diferenças. 

China e EUA estão em desacordo em alguns pontos. O primeiro deles é que os chineses entendem que americanos e sul-coreanos devem interromper os exercícios militares de forma a abrir caminho para a diplomacia. Mas Washington pensa que, se Beijing aprovar sanções na ONU, os EUA não precisariam enviar equipamentos e armas à Península Coreana. Estão em lados opostos sobre a melhor maneira de convencer Kim Jong Un a interromper seus testes. 

China e EUA entendem a situação de maneiras absolutamente distintas. Matéria muito importante assinada por Lyle J. Goldstein no National Interest mostra o ponto de vista dos teóricos chineses. São muito diferentes dos ocidentais. 
Três teóricos apresentam aspectos fundamentais que explicam o impasse entre Beijing e Washington: entre a desmobilização nuclear e a preservação da estabilidade, os EUA optaram pelo primeiro, mas os chineses priorizam o segundo aspecto. 

Outro ponto apresentado é muito relevante: os chineses aceitam que os norte-coreanos desenvolvam energia nuclear, ao contrário dos americanos. O terceiro teórico cita a desconfiança mútua entre EUA e China como uma das razões pelas quais a parceria é frágil, algo que se reflete diretamente no impasse na Coreia do Norte. 

Este é um cenário que realmente não inspira grandes expectativas de que as duas potências poderão solucionar a questão sozinhas. Mesmo na aliança mantida pelos EUA com Japão e Coreia do Sul, Donald Trump tem relegado os sul-coreanos a segundo plano. E Japão e Coreia do Sul tampouco têm posições unânimes, especialmente em relação ao plano japonês de aumentar seu poderio militar. Especificamente sobre as estratégias para conter Kim Jong Un, os aliados asiáticos também discordam: enquanto o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, tende a favorecer o diálogo com a Coreia do Norte, o presidente do Japão, Shinzo Abe, dá preferência a demonstrações de poderio militar. 

Para ler o texto completo de  Lyle J. Goldstein, clique aqui