Crise com a Europa, sucesso com a Coreia do Norte

12 de Junho de 2018
Por Henry Galsky A virada da última semana para esta foi sintomática para a análise quanto à política externa do presidente americano, Donald Trump. Depois de não assinar o comunicado conjunto do G7, deixou o encontro em busca de seu projeto maior, a cúpula com o ditador norte-coreano Kim Jong Un em Singapura. De um fórum multilateral a um biltareal, da histórica aliança transatlântica com europeus e com o vizinho do norte Canadá ao debate frontal com a ditadura de Pyongyang. 

A crise no G7 é parte do projeto maior de Trump de questionar o sistema internacional e a inserção americana. Este é um item permanente de sua agenda desde a campanha. E ao sobretaxar as importações de aço e aluminínio de México, Canadá e União Europeia (UE) ele quer reforçar a percepção de seus eleitores e a sua própria de que há um desequilíbrio desfavorável a Washington que precisa ser corrigido a qualquer custo.

Desmonte do multilateralismo

Este não é um ato isolado, é importante dizer. Em novembro de 2017, optou por retirar os EUA do Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica, projeto conhecido pela sigla em inglês TPP. 

Outros 11 países faziam parte do acordo: Japão, Austrália, Canadá, México, Peru, Chile, Malásia, Vietnã, Nova Zelândia, Singapura e Brunei. Se antes, com a participação dos EUA, a cooperação respondia por 40% da economia mundial, depois que Trump anunciou a saída do país em janeiro, este dado caiu para 15%.

A administração americana hoje questiona a globalização e seus impactos domésticos. Isso não torna o governo progressista no sentido mais comum do termo. Pelo contrário. Este é o motivo principal pelo qual Trump foi eleito. É um olhar sobre o processo de interação global protecionista no qual os “valores” tradicionais, as riquezas e o mercado interno de trabalho estão em permanente ameaça. 

Globalização questionada pelos eleitores

Logo depois da posse de Trump, citei em alguns dos textos o exemplo que passei a chamar de “o carvoeiro do Tennessee”. 

Em entrevista à CNN, a deputada republicana Marsha Blackburn foi confrontada pelos índices econômicos positivos deixados pelo governo do ex-presidente Barack Obama. Em sua resposta, ela reconheceu os avanços, mas fez questão de segmentar ainda mais a questão, apresentando as demandas dos carvoeiros de seu estado, o Tennessee, desempregados pela falta de investimentos em combustíveis fósseis. 

Esta tem sido a linha de atuação desde a posse. Em todas as oportunidades de negociação, expansão e relacionamento multilateral, a Casa Branca opta por reduzir alianças internacionais para privilegiar bilateralismos – o TPP, a retirada do acordo nuclear com o Irã, as críticas contundentes à OTAN (que retornaram neste episódio do G7) e a saída do acordo do clima são alguns dos exemplos evidentes desta linha teórica e prática. 

Mais uma vitória de Vladimir Putin

Mais explícito foi o tweet do conselheiro de Segurança Nacional John Bolton: “Apenas outro G7 onde outros países esperam que a América seja sempre o seu banco. O Presidente deixou claro hoje. Não mais."

Enquanto Vladimir Putin tem a certeza de que acertou na escolha e tem obtido sucesso ao isolar os EUA sem precisar fazer nada além de deixar a administração americana atual trabalhar, o presidente Trump celebra a diplomacia de engajamento com a Coreia do Norte.