O nó a ser desatado

18 de Setembro de 2018
Por Henry Galsky Uma das possibilidades que poderia criar garantias necessárias à segurança de israelenses e palestinos a partir de um eventual plano de retirada da Cisjordânia seria substituir as Forças de Defesa de Israel (IDF) por um aparato militar internacional. 

Este é um projeto que já existe na região e atende pelo nome de United Nations Interim Force in Lebanon (UNIFIL), estabelecida depois que, em 1978, os israelenses invadiram o Líbano para proteger as cidades e comunidades da região norte de seu território que vinham sendo atacadas pelos palestinos que militarmente se fixaram no sul do Líbano e de lá operacionalizam ofensivas contra Israel. 

Como tenho escrito por aqui, depois da retirada do Líbano em 2000, diante de pressão interna da sociedade israelense, a presença das IDF foi substituída na prática pela milícia xiita libanesa Hezbollah, cujo arsenal na região é hoje estimado em mais de cem mil mísseis. Seis anos depois, Israel e Hezbollah travaram uma guerra de pouco mais de um mês. O conflito passou a ser conhecido como Segunda Guerra do Líbano. 

Hoje, a UNIFIL ainda está presente no sul do Líbano. A força militar internacional conta com 10.500 soldados de 41 países diferentes. 

Mas aí começa o problema; existe uma distância – às vezes pequena, às vezes enorme – entre a solução imaginada e o mundo real. A UNIFIL está no sul do Líbano desde 2006. E, nesses últimos 12 anos, não foi capaz de interromper o fluxo de transferência de armamento de Irã e Síria ao Hezbollah, até porque não era esta a missão nem a tropa teria condições de realizar a tarefa. Hoje, a milícia xiita libanesa conta com arsenal superior ao que mantinha ao fim do conflito da primeira década do século 21. 

E a partir deste ponto nasce o impasse. Se a comunidade internacional não conseguiu (por não alocar força militar da ONU capaz de realizar a tarefa) interromper o envio de armas ao Hezbollah desde que Israel deixou o sul do Líbano em 2000, se a comunidade internacional não pôde proteger a Autoridade Palestina e evitar que o Hamas tomasse a Faixa de Gaza e a transformasse em base permanente de lançamentos de mísseis contra o sul do território israelense, como imaginar que qualquer quadro do complexo espectro político de Israel será capaz de convencer o público doméstico a apostar pela terceira vez na retirada das IDF – desta vez da Cisjordânia – sem qualquer garantia?

Além disso, os acontecimentos registrados nesta terça-feira entre Israel, Síria e Rússia mostram a complexidade do cenário sob o ponto de vista político e militar. Mesmo que tropas internacionais sob a chancela da ONU fossem alocadas na Cisjordânia, elas não teriam como garantir a paz por si só sem que antes fosse celebrado um acordo amplo e definitivo entre as partes que também contasse com a participação ativa dos demais atores regionais.