A reunião internacional de condomínio

28 de Setembro de 2018
Por Henry Galsky A Assembleia Geral da ONU é como uma grande reunião de condomínio onde cada um defende a própria posição sem o compromisso de encontrar pontos em comum. O propósito da AG não é esse mesmo, mas vale a comparação. A reunião de lideranças de países que muitas vezes sequer mantêm relações diplomáticas é curiosa. 

O conflito entre israelenses e palestinos é sempre pauta. Como costumo escrever, de maneira desproporcional. Não é o mais intenso, nem o mais sangrento, mas é o mais midiático. As razões disso são tantas que merecem um texto em separado. 

Na edição deste ano, a AG apresenta elementos mais amplos como pano de fundo que podem ser divididos em dois eixos. De um lado, a pressão sobre o Irã exercida por americanos e israelenses ainda na esteira da decisão americana de se retirar do acordo nuclear. De outro, o ataque permanente do Irã sobre Israel, procurando, em conjunto com o discurso da Autoridade Palestina (AP), estigmatizar e isolar o Estado judeu ao mesmo tempo em que reafirmam o objetivo de estabelecer os EUA como ator global desinteressado na constituição de um mundo mais justo. 

E Donald Trump em seu discurso deixou muito claro que não pretende reforçar multilateralismos, mas “patriotismo” e segurança nacional – o que acabou por facilitar o trabalho dos tradicionais opositores à política externa americana. 

Ao mesmo tempo, a posição do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, buscou reforçar a aliança com os americanos, reafirmando o perigo representado pelo Irã, revelando inclusive durante seu discurso novos segredos sobre locais de armazenamento de material atômico em Teerã e de armamento iraniano em regiões populosas de Beirute, no Líbano. E, ao mandar recado sobre os acontecimentos recentes na Síria, deixou claro que Israel continuará a impedir o repasse de armamento ou o estabelecimento de bases iranianas - de acordo com Netanyahu, as forças de seu país não encontram limite de ação, podendo agir na Síria, Líbano ou Iraque. 

Numa visão ampla, a Assembleia Geral acaba por nesta edição por se estruturar sobre esses pilares.