Hamas lança recorde de mísseis sobre Israel e conflito aberto pode avançar

13 de Novembro de 2018
Por Henry Galsky O dia 12 de novembro entra para os registros do conflito entre Israel e os palestinos. Nesta segunda-feira, entre 16h30 e 22h (hora local), as facções palestinas, especialmente Hamas e Jihad Islâmica, lançaram a maior quantidade de mísseis sobre o território israelense em apenas seis horas e meia. O recorde é resultado da onda mais recente de enfrentamentos entre as partes.

A sequência de acontecimentos mostrava a possibilidade de um caminho oposto, pelo menos temporariamente. Israelenses e palestinos do Hamas sinalizavam a partir de negociações indiretas – mediadas por ONU e Egito – que poderiam alcançar um acordo de cessar-fogo de maior duração. O governo Netanyahu chegou inclusive a liberar a entrada em Gaza de malas com 15 milhões de dólares enviados pelo Qatar que possibilitariam o pagamento de salários a servidores civis do Hamas.

Tudo ruiu rapidamente. No domingo, o evento ainda não esclarecido em que agentes israelenses disfarçados com vestimenta feminina se engajaram militarmente com o Hamas no interior de Gaza, resultando na morte de sete membros armados do grupo e de um oficial israelense.

A interpretação do ocorrido, ainda que não explícita, é que se tratava de uma operação de coleta de informações. Mas que não teve sucesso e acabou descoberta durante sua execução.

Com o primeiro-ministro fora do país e o acordo informal já encaminhado, é improvável imaginar que o objetivo fosse o assassinato de lideranças do grupo terrorista que controla Gaza.

No entanto, a sequência de acontecimentos surpreendeu pela intensidade. Além da grande quantidade de mísseis sobre o sul de Israel, um ônibus foi alvejado por um míssil antitanque.

O contra-ataque israelense envolveu aviões de combate. Já à noite, Jerusalém determinou o envio de tanques para a fronteira com Gaza, deixando evidente o aprofundamento da crise.

Ao mesmo tempo, as facções palestinas – especialmente Hamas e Jihad Islâmica – anunciam a possibilidade de aumentar o escopo dos ataques, prometendo colocar sob a mira dos mísseis “um milhão de sionistas”, segundo o porta-voz do Hamas, Abu Obeida.

Neste momento, a declaração é para ser levada a sério, considerando-se a surpreendente decisão dos grupos palestinos de aumentar a temperatura. É uma aposta arriscada, levando-se em conta a capacidade militar de Israel e os resultados dos três enfrentamentos já ocorridos entre as partes ao longo do século 21.

Vale lembrar o contexto deste ano. A situação se deteriorou e esteve próxima de guerra aberta por diversas vezes, especialmente depois que o Hamas passou a patrocinar as manifestações na fronteira entre Gaza e Israel.

O novo formato de confronto com os israelenses passou a ser chamado pelo grupo de Grande Marcha do Retorno, evento semanal cujo propósito era levar milhares de pessoas à fronteira e incentivá-las a cruzar a cerca que separa os dois territórios.

A iniciativa alcançou seu ápice em 14 de maio, quando 52 palestinos – parte deles membros dos grupos armados locais, segundo informações divulgadas pelo próprio Hamas – foram mortos em confronto com forças militares israelenses no mesmo dia em que autoridades internacionais celebravam a inauguração da embaixada americana em Jerusalém.

Como escrevi acima, a situação atual pode ser um revés ao Hamas, uma aposta. Ao contrário de Benjamin Netanyahu – que parece interessado em alguma forma de acomodação com o grupo palestino que controla Gaza –, há membros do governo israelense que defendem abertamente que há apenas um meio de encerrar a crise: o assassinato das lideranças do Hamas.

Essa é exatamente a posição de Gilad Erdan, ministro da Defesa Pública. Se a ideia da cúpula decisória do grupo palestino for blefar aumentando cada vez mais as chances de uma nova guerra franca (que já esteve próxima de ocorrer em diversas ocasiões ao longo de 2018), estará assumindo o risco de fortalecer as correntes do governo de Israel menos interessadas em chegar a qualquer entendimento mínimo. E este pode ser um caminho sem volta.