Benjamin Netanyahu se segura no cargo. Por enquanto

21 de Novembro de 2018
Por Henry Galsky O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrenta neste momento o seu período de maior questionamento político. Não apenas por parte da esquerda – permanentemente na oposição ao governo –, mas da coalizão de parlamentares que o sustenta no cargo.
A crise doméstica iniciada pelo número recorde de mísseis lançados por Hamas e Jihad Islâmica contra o sul do território israelense foi agravada pela decisão do ex-ministro da Defesa de renunciar em protesto ao cessar-fogo aceito justamente por Netanyahu.

Os acontecimentos rapidamente acenderam a luz verde ao ministro da Educação, Naftali Bennett, que reivindicou a titularidade da Defesa para evitar o desmonte da coalizão. No parlamentarismo, deter a maioria dos assentos no parlamento é premissa para a sustentação governamental.

A velocidade de todas essas ações poderia levar a crer que o primeiro-ministro perderia o controle, levando à convocação de eleições antecipadas (oficialmente marcadas, se a coalizão for mantida, para novembro do ano que vem). Mas Netanyahu é um político habilidoso e fez um pronunciamento em rede nacional de televisão que conseguiu, de uma só vez, mobilizar a população, ganhar tempo e constranger seus adversários internos.

“Estamos no meio de uma campanha militar, e você não abandona uma campanha para fazer jogo político. A segurança do país está acima da política e das considerações pessoais”, disse. Ainda acrescentou que Israel enfrenta “período complexo em termos de segurança” e que, como primeiro-ministro, tem conhecimento de informações que, por questões estratégicas, não podem ser tornadas públicas.

Netanyahu passou a acumular a pasta da Defesa – a pretendida por Bennett. Neste momento, o ministro da Educação teve de segurar seus projetos políticos – que incluem de maneira cada vez mais explícita o interesse pessoal de substituir o próprio Netanyahu –, mas em entrevista coletiva devolveu a chamada que recebeu do primeiro-ministro:

“Não há apocalipse a caminho. Há inimigos, mas nenhum que me assuste. Há algo ruim acontecendo internamente, inclusive na última década nos governos Netanyahu – o Estado de Israel parou de vencer”, declarou.

As palavras firmes adornaram o aspecto central do pronunciamento: a decisão de voltar atrás na ameaça de abandonar o governo caso o primeiro-ministro não lhe concedesse a titularidade do ministério da Defesa.

“É melhor que o primeiro-ministro nos derrote em uma batalha política do que perder para (o chefe do Hamas, Ismail) Haniyeh”, completou.

Naftali Bennett fez uma análise simples a partir do discurso da véspera de Netanyahu: o Likud, partido do primeiro-ministro, é a principal legenda em Israel. Ao derrubar o governo, ele próprio, Bennett, levaria o crédito pelo fim da coalizão. Poderia ficar valendo o trecho fundamental do discurso de Netanyahu mencionando interesses pessoais que se sobrepõem à segurança nacional.

Vale lembrar que, no atual governo, o Likud detém 30 assentos no Knesset, enquanto A Casa Judaica (partido de Bennett), oito. Não dá para desprezar o histórico de vitórias do Likud sem quaisquer garantias de que, nas próximas eleições, será possível obter mais cadeiras do que a legenda de Netanyahu.

Mesmo assim, mesmo com mais uma demonstração de habilidades políticas e do enorme poder interno de que usufrui o primeiro-ministro, a maior parte do Knesset demonstra ser favorável a realizar eleições no final de março de 2019. Benjamin Netanyahu conseguiu se segurar por ora. Pode até não conseguir evitar o pleito antecipado, mas foi hábil o bastante para constranger e expor seu aliado-inimigo interno Naftali Bennett.