Likud, partido liderado por Netanyahu, coleciona vitórias sucessivas ao longo do século 21

27 de Novembro de 2018
Por Henry Galsky Este é um texto mais simples cujo objetivo é mostrar o poderio do Likud, o partido liderado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. A ideia é encerrar por ora este ciclo de análises sobre o cenário doméstico no país desde que a crise dos mísseis mais recente se encerrou depois de quase iniciar um novo conflito com o Hamas – seria o quarto neste século (2008/2009, 2012 e 2014). 

É interessante notar que a sequência de guerras abertas entre Israel e Hamas também marca o ciclo de vitórias de Netanyahu. Os dados mostram quase um monopólio eleitoral do Likud no século 21.

Desde a derrota do ex-primeiro-ministro trabalhista Ehud Barak, foram quatro vitórias na sequência: 2003, 2009, 2013 e 2015 (não há necessariamente intervalos de quatro anos entre as eleições porque o parlamentarismo implica vulnerabilidade, já que os governos dependem da manutenção de maiorias). 

As conquistas eleitorais consecutivas foram quebradas apenas em 2006. Mesmo assim, num contexto específico de um dos principais símbolos políticos e militares do país, Ariel Sharon. Depois de promover a retirada de todos os assentamentos judaicos da Faixa de Gaza, em setembro de 2005, Ariel Sharon deixou o Likud para unir-se a elementos até do Partido Trabalhista com visões mais pragmáticas. Fundou o Kadima (Avante, em hebraico) porque pretendia seguir adiante com decisões importantes – mesmo que unilaterais, como a retirada de Gaza – de forma a solucionar o conflito com os palestinos. 

Sharon poderia vencer as eleições de 2006, mas em janeiro daquele ano sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) – morreria oito anos mais tarde depois de passar todo este período em coma. Também membro do Kadima, Ehud Olmert acabou eleito. 

Todo este histórico para deixar claro a absoluta excepcionalidade de derrotas do Likud ao longo do século 21. O partido não venceu em apenas uma ocasião, quando foi derrotado justamente pelo substituto de um de seus nomes mais representativos – mas dissidente em seu projeto final de carreira. 

Neste momento em que o cenário interno em Israel parece buscar novamente a realização de eleições antecipadas para alcançar um novo estágio de frágil equilíbrio, acho válido apresentar as dinâmicas de disputa de poder que mais marcadamente acompanharam os 70 anos do país. 

Nos primeiro 30 anos – entre a independência em 1948 e a eleição de Menachem Begin, em maio de 1977 – os trabalhistas lideraram a política israelense. Hoje, a realidade é distinta. O Likud comanda a coalizão de direita. Se estiver no cargo em 17 de julho de 2019, Benjamin Netanyahu superará David Ben Gurion como o político a ocupar o cargo de primeiro-ministro por mais tempo na história de Israel. 

Mas não necessariamente é possível estabelecer verdades absolutas sobre a esquerda e a direita quando as negociações de paz estão em pauta. Foi Menachem Begin quem assinou os Acordos de Camp David, em setembro de 1978, que levariam à assinatura do acordo de paz com o Egito do presidente Anwar Sadat em março do ano seguinte. Nos anos 1990, os trabalhistas Yitzhak Rabin e Shimon Peres assinaram os Acordos de Olso, com o líder da OLP Yasser Arafat, e com a Jordânia do Rei Hussein.