O homem que pode mudar o rumo das eleições em Israel

10 de Janeiro de 2019
Por Henry Galsky O cenário eleitoral em Israel parecia muito previsível. Parecia. Mas aí veio o processo de reorganização política a partir da antecipação das eleições para 9 de abril. 

A direita se fragmentou parcialmente. O ministro da Educação Naftali Bennett e a ministra da Justiça Ayelet Shaked saíram enfraquecidos da crise dos mísseis lançados pelo Hamas e buscaram criar um fato novo, deixando o partido A Casa Judaica e fundando uma nova legenda, o Hayamin HaHadash (A Nova Direita). 

A situação da centro-esquerda é ainda pior. O campo chamado de O Acampamento Sionista formado pela união entre os partidos Trabalhista e o Hatnuá (O Movimento) se desfez – este último liderado pela ex-ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni. Ou seja, a já enfraquecida esquerda irá disputar as eleições totalmente dividida. O mesmo vale para o Meretz, ainda mais à esquerda do espectro político. 

Desta maneira, o caminho está ainda mais livre para o Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. No entanto, a bola que esteve quicando nesses últimos anos em Israel parece que será chutada, uma vez que o procurador-geral Avichai Mandelblit (foto) pode indiciar o primeiro-ministro por corrupção antes das eleições de abril. E se isso se confirmar, aí sim haverá um elemento novo na disputa, deixando o pleito completamente em aberto. 

Este parece ser o único adversário real diante de Netanyahu – franco favorito nas urnas. 

Vale lembrar as acusações que pesam contra ele:

O primeiro-ministro é investigado pela polícia israelense por alegações envolvendo suborno, fraude e quebra de decoro. Netanyahu acabou se aliando ao magnata americano Sheldon Adelson, proprietário de cassinos nos EUA que em Israel opera o jornal gratuito Israel Hayom. Ao contrário dos veículos pagos, o diário costuma ser elogioso ao primeiro-ministro.

No entanto, a polícia empreendeu investigação mostrando que o próprio Bibi teria tentado se aliar a seu inimigo histórico Arnon Mozes, proprietário do jornal mais popular do país, o Yediot Ahronot, prometendo se esforçar para impedir a circulação gratuita do suplemento de final de semana do Israel Hayom em troca de cobertura mais favorável por parte de seu jornal.

Há também uma série de episódios mal explicados de troca de favores com empresários. Além desta acusação sobre a abordagem a Arnon Mozes, chamada de Caso 2000, há o Caso 1000 (suspeita de recebimento de presentes de doadores ricos), o Caso 3000 (investigação sobre o envolvimento pessoal de Netanyahu durante o processo de compra de três submarinos alemães) e o Caso 4000. 

O Caso 4000 investiga a possibilidade de que o primeiro-ministro teria recebido suborno e agido em conflito de interesses intervindo e atuando em decisões regulatórias favoráveis a Shaul Elovitch e o Grupo Bezeq, e, ao mesmo tempo, teria exigido interferir no conteúdo do site Walla de forma que se beneficiasse. Elovitch é ex-proprietário do Grupo Bezeq, corporação a que pertence o portal Walla.

Mesmo com as acusações sendo investigadas, Benjamin Netanyahu não é obrigado a renunciar. Isso ocorreria apenas ao final do processo caso o primeiro-ministro seja considerado culpado.