A missão de resgate de Israel em Minas Gerais

28 de Janeiro de 2019
Por Henry Galsky Na foto, acampamento da missão de Israel na Cidade do México depois do terremoto que atingiu a capital do país, em 1985

Há uma série de especulações em torno da missão de resgate enviada por Israel a Minas Gerais. Entre elas, manifestações antissemitas das mais diversas formas. 

O antissemitismo é um fenômeno que permanece, se reproduz e faz mutações ao longo dos séculos. É também uma força poderosa capaz de unir a extrema direita e a extrema esquerda, algo absolutamente raro em especial numa era de grande polarização. 

Desde que a missão israelense foi anunciada, já vi toda a sorte de teorias estapafúrdias: o país estaria interessado no nióbio brasileiro; ou iniciaria em Minas Gerais (!) o primeiro estágio de intervenção na Venezuela. Pois é. 

Israel já enviou missões de resgate a diversas partes do mundo: depois do grande terremoto da Turquia, em 1999, e após o que devastou o Haiti, em 2010; e depois do tufão que atingiu as Filipinas, em 2013; e nos terremotos que devastaram o Nepal, em 2015, e o México, em 2017. A unidade que está no Brasil atuou em 20 situações de desastres e tragédias em todo o mundo. 

Desde novembro de 2018, a Brigada de Resgate e o Comando de Frente Interna de Israel passaram a integrar o Grupo Consultivo Internacional de Pesquisa e Resgate (INSARAG, em inglês), rede de países e organizações dedicada a busca e resgate e coordenação operacional. 

Imaginar e teorizar algo além da missão humanitária é fruto do desconhecimento ou do próprio antissemitismo venal que estabelece que os judeus - e o Estado judeu, neste caso - devem estar sempre sob profunda desconfiança.  

Uma das manifestações antissemitas mais antigas e recorrentes enxerga os judeus como grupo único que se mantém permanentemente em atividade conspiratória se aproveitando da “inocência” do restante da humanidade. 

É exatamente este olhar de suspeita sobre os judeus -  e neste caso, sobre o Estado judeu - que está novamente em atuação no Brasil diante da missão de resgate israelense. É o velho antissemitismo de sempre. Nada além disso.