Um novo cenário nas eleições em Israel

19 de Fevereiro de 2019
Por Henry Galsky Não há dúvidas de que as próximas eleições israelenses vão girar em torno do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Esta não é a novidade entre algumas das novidades que estão em jogo neste momento. O que é novo – especificamente em relação a Netanyahu – é que este pleito também será uma espécie de julgamento público sobre o comportamento ético de um dos líderes mais simbólicos e longevos da história do país. 

O fato é que este é um momento difícil para o primeiro-ministro, já que ele se encontra num lugar pouco comum em sua trajetória política muito bem-sucedida. Neste lugar de questionamentos, sente-se desconfortável porque precisa responder às acusações que lhe são feitas. 

Mesmo empenhado na defesa de seu legado, o público doméstico não tem dado sinais de que esteja disposto a passar por cima dos denúncias contra o primeiro-ministro. Aqui é preciso fazer uma pausa de forma a contextualizar alguns itens relevantes. 

Apesar de questionado, Netanyahu ainda pode obter resultados positivos. É possível que seja vitorioso e se mantenha no cargo por meio do voto. Ele pode também ser derrubado pelo procurador-geral Avichai Mandelblit antes ou depois das eleições. É também provável que o partido sob sua liderança, o Likud, tenha mais uma boa performance nas urnas. 

Ou seja, há muitas possibilidades neste horizonte breve. E uma delas – e esta é a maior novidade dentre todas – é a de Netanyahu não ser o próximo primeiro-ministro de Israel. E aqui reside o ponto no qual o líder israelense não imaginava se encontrar porque há nessas eleições um tipo de adversário que Netanyahu não gostaria de enfrentar. 

Benny Gantz tem o perfil mais temido pelo Likud; assim como no restante do mundo, a ideia de admiração pelo altruísta que ostenta biografia irrepreensível paira sobre o eleitorado israelense. Principalmente num ambiente de investigação e suspeitas, Gantz preenche uma série de requisitos de causar inveja a seus muitos concorrentes. 

Entre fevereiro de 2011 e fevereiro de 2015, ocupou o cargo de chefe do Estado Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF). Nomeado justamente por Netanyahu. O perfil de homem de família dedicado à defesa nacional e que, ao mesmo, não está envolvido com a política tradicional tem enorme poder de atração. 

Após anunciar a criação do partido Hosen LeIsrael (A Resiliência de Israel) e a liderança da legenda, teve ampla aceitação nas pesquisas. Neste momento, conseguiu a projeção de 15 assentos no Knesset, o parlamento do país. 

Esse número foi catapultado na semana passada após a confirmação da candidatura e do lançamento grandioso da campanha, evento onde o ex-militar fez críticas indiretas ao atual governo e principalmente, claro, às artimanhas e mecanismos envolvidos no sistema político tradicional. 

Desta forma, imaginando um cenário possível de união com o partido de centro Yesh Atid (Há Futuro), de Yair Lapid, a chapa pula para até 35 deputados eleitos, tornando-se a maior do Knesset. O Likud ficaria logo atrás, com ainda significativas 30 cadeiras. 

E aí o caminho estaria aberto a Gantz, uma vez que possivelmente o presidente Reuven Rivlin – também membro do Likud, mas com histórico de independência de atuação e atritos com Netanyahu – pode dar a ele, Gantz, a missão de estabelecer coalizões e encontrar uma brecha para alcançar a maioria simples de ao menos 61 deputados. E assim Israel teria um novo primeiro-ministro depois de dez anos em sequência da liderança de Benjamin Netanyahu.