Apesar de enfraquecido, Netanyahu ainda é favorito

22 de Fevereiro de 2019
Por Henry Galsky Só em abril saberemos se Benny Gantz será capaz de transformar sua biografia como militar de sucesso no próximo fenômeno político de Israel.

Vale reforçar algo que tentei deixar claro em meu último texto: todos os adjetivos atribuídos a Gantz não podem ser entendidos como uma matemática simples que resultará em vitória certa sobre Benjamin Netanyahu. 

O primeiro-ministro de Israel é um político muito bem-sucedido que atravessa sem nenhuma dúvida o momento mais delicado de sua longa carreira. 

Mas Netanyahu, mesmo à sombra das acusações que pairam sobre seus atos, tem um legado a defender (ao contrário de seu principal adversário). 

Os itens mais óbvios são percebidos pelo grande público doméstico e compõem o catálogo de conquistas de seus dez anos de governo. São números sempre lembrados por Netanyahu, principalmente durante esta campanha: por exemplo, o índice de desemprego que chegou a ser reduzido a apenas 3,2% no primeiro trimestre do ano passado. 

O índice atual permanece baixo (algo em torno de 4% a 4,4%), mas, de acordo com os modelos projetados pela consultoria Trending Economics, pode cair para 3,5% nos próximos meses. Como efeito de comparação, em dezembro de 2018 o dado no Brasil girava em torno de 12%. 

A economia do país também está em crescimento. A média do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 89,46 bilhões de dólares anuais entre 1960 e 2017. Até que, em 2017, o país atingiu a marca recorde de 350,85 bilhões de dólares. 

Mas a preocupação em Israel está longe de estar concentrada apenas sobre índices econômicos. A segurança não apenas é a pauta mais complexa, mas também foco de ansiedade do eleitorado e de debate entre os partidos. Também nesse aspecto Netanyahu tem uma série de resultados positivos a apresentar; as fronteiras do país nunca estiveram tão seguras. 

Há pouquíssima insegurança nas cidades israelenses, e mesmo o temor de atentados foi reduzido graças, entre outros, à capacidade de impedir que terroristas sequer consigam cruzar postos de controle. 

E vale a observação que hoje as forças de segurança trabalham não somente com barreiras físicas, mas também em constante monitoramento das atividades suspeitas por diferentes meios de investigação digital. 

O mesmo empenho de Netanyahu se aplica para as alianças internacionais. Em especial, no Oriente Médio, onde fica a cada dia mais evidente que Israel conta hoje com a boa vontade de atores inimagináveis há alguns anos. As monarquias sunitas do Golfo Pérsico continuam a replicar estereótipos antissemitas internamente, mas adotam postura pragmática na política internacional. 

Esses países têm flexibilizado posições históricas em relação a Israel graças à percepção de que o Irã está pondo em prática suas ambições regionais - que intimidam e podem pôr em xeque a própria continuidade dos regimes monárquicos sunitas. 

Assim, mesmo enfraquecido internamente, Netanyahu tem muitos elementos a usar de forma a convencer o público interno de que deve continuar no cargo. 

Além de todos os itens mencionados acima, há o ponto fundamental: a inexperiência política de Benny Gantz. O primeiro-ministro já está tentando apresentar Gantz e Yair Lapid (agora unidos sob a mesma coalizão) ao eleitorado como parte do campo de oposição de esquerda, numa clara tentativa de enfraquecimento de seus adversários.