Indiciamento de Netanyahu provoca terremoto político em Israel

01 de Março de 2019
Por Henry Galsky O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, será julgado por suborno e quebra de confiança. A partir de agora, aguarda audiência. É a primeira vez na história do país que um primeiro-ministro em exercício é comunicado oficialmente de que enfrenta acusações criminais.

O Likud, partido de Netanyahu, pode perder parcela significativa de votos e capacidade de formar uma coalizão de governo após a votação de 9 de abril. Netanyahu será notificado e poderá solicitar audiência para contestar a acusação.

O processo completo pode durar até um ano (ou até mais que isso, segundo analistas da legislação israelense). Neste período, o primeiro-ministro não está legalmente obrigado a renunciar. 

Logo depois do anúncio do procurador-geral Avichai Mandelblit escrevi que sua decisão teria o poder de mudar o quadro eleitoral de forma decisiva a menos de seis semanas da votação. Na verdade, já mudou. 

O cenário agora é completamente diferente. Se antes havia um clima de quase certeza absoluta sobre a liderança de Netanyahu à frente de qualquer coalizão minimamente viável de governo (ele seria o único capaz de alcançar o número mágico de 61 membros do Knesset, ou seja, a metade mais um do parlamento), esta premissa passou a ser questionada – e diretamente ameaçada – a partir do indiciamento do primeiro-ministro. 

Há duas brechas que serão exploradas pelo adversários mais diretos de Netanyahu (Benny Gantz e Yair Lapid - na foto -, os companheiros da chapa favorita a obter maioria, a Kahol Lavan – Azul e Branco, em português): Gantz já vinha reforçando o discurso do novato na política ostentando biografia de homem militar alheio aos escândalos que caracterizam o jogo pelo poder. 

Esse discurso ganha ainda mais força diante do fato de o primeiro-ministro estar indiciado. Mas, além dele, há um ponto prático levantando por David Horowitz em artigo no Times Of Israel: durante o tempo restante de campanha o primeiro-ministro precisará convencer os eleitores de que é totalmente capaz de dedicar-se à liderança do país e de todos os muitos e complexos desafios que o cargo representa ao mesmo tempo em que elabora a própria defesa jurídica. Não é simples, pelo contrário. 

O jogo nunca se apresentou tão desfavoravelmente não apenas a Netanyahu mas aos partidos de direita. De acordo com as pesquisas divulgadas após o indiciamento, pela primeira vez nesta campanha – e pela primeira vez em muito tempo – os partidos de centro-esquerda (e mais os partidos árabes) conseguem juntos alcançar o número mágico que expus acima (61 membros no Knesset) sem a necessidade de recorrer a qualquer legenda da nova direita ou da tradicional. 

Se este cenário se confirmar no próximo dia 9 de abril, uma mudança real está para transformar a realidade israelense e do Oriente Médio. Lembrando sempre que, além de tudo o que isso representa por si só, o presidente americano Donald Trump pretende em breve apresentar seu plano de paz para encerrar o conflito entre israelenses e palestinos (intitulado por ele de “O Acordo do Século”). Se não o tornou público até agora foi justamente a pedido de Netanyahu – que solicitou adiar a divulgação para depois das eleições de abril. 

Abaixo, a pesquisa de intenções do canal público de TV Kan. Ela mostra esta tendência de mudança que se apresenta. Em negrito estão marcados os partidos de centro-esquerda e os dois partidos árabes. Agradeço ao historiador João Koatz Miragaya por enviá-la. 

Kahol-Lavan - 37
Likud - 29
Nova Direita - 7
Hadash-Ta'al - 7
Yahadut HaTora - 7
Shas - 6
Avoda - 6
Meretz - 6

Ra'am-Balad - 5
União dos Partidos de Direita - 5
Kulanu - 5