Dois mísseis lançados a partir de Gaza sobre Tel Aviv

14 de Março de 2019
Por Henry Galsky Dois mísseis foram lançados a partir de Gaza em direção a Tel Aviv. De acordo com imprensa palestina, membros do Hamas abandonaram posições militares em preparação para retaliação israelense. Até o momento da publicação deste texto, nenhum grupo terrorista havia reivindicado a ação.

O sistema de defesa Domo de Ferro interceptou um dos mísseis. O outro caiu em campo aberto.

O jornal Times Of Israel obteve a informação de um oficial do Hamas de que o grupo desconhece os responsáveis pelos mísseis e não estaria interessado numa nova escalada de violência. É a mesma posição da Jihad Islâmica.

Recentemente, o Hamas tem adotado este discurso circunstancialmente. Pode ser uma estratégia para se distanciar das retaliações israelenses. Muito embora Israel considere o grupo palestino como responsável por qualquer ação ou ofensiva lançada a partir de Gaza.

Em 2007, o Hamas expulsou a Autoridade Palestina (AP) de Gaza e passou a controlar o território. Desde então, travou três guerras abertas com Israel: 2008/2009, 2012 e 2014. 

Em novembro passado, o Hamas lançou 400 mísseis contra o sul do território israelense. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu resistiu às pressões do próprio gabinete de segurança e decidiu não iniciar uma nova guerra como resposta aos mísseis, o que provocou protestos dos moradores do sul do país. 

A crise de novembro ainda não terminou. Pelo contrário. O desgaste se aprofundou, quase derrubou o governo e levou Netanyahu a convocar eleições antecipadas – que ocorrem em três semanas. 

Os mísseis desta quinta-feira podem estar relacionados ao processo eleitoral, mas podem também ser fruto da crise na região conhecida como Monte do Templo (pelos judeus) e Esplanadas das Mesquitas (pelos muçulmanos), em Jerusalém. 

Há permanente temor por parte da população muçulmana de que Israel pretenda alterar o status-quo do lugar sagrado, algo negado sucessivamente pelas autoridades israelenses. 

No foco da disputa, os símbolos sempre têm papel central. Especialmente num conflito de tamanha sensibilidade. 

Lançar mísseis sobre Tel Aviv é sempre um símbolo de ousadia e poder por parte do Hamas. E é entendido desta forma por todos os palestinos – mesmo por aqueles que vivem do outro lado, na Cisjordânia, e que são governados pela Autoridade Palestina, principal rival política do Hamas. 

Netanyahu não foi à guerra contra o Hamas quando o grupo terrorista bateu o recorde de mais de 400 mísseis lançados sobre o sul de Israel. 

Na sequência, o líder israelense foi questionado internamente pela própria população. Se iniciar um conflito mais amplo com o Hamas depois de dois mísseis sobre Tel Aviv, vai ser questionado novamente sobre o peso da população atingida. 

Este é outro problema que o grupo responsável pelos mísseis em Tel Aviv joga no colo do primeiro-ministro – novamente, a três semanas das eleições. São esses os elementos que cercam a liderança israelense neste momento e o contexto dos acontecimentos mais recentes cujos desdobramentos ainda estão em curso.