Depois de míssil do Hamas atingir região central de Israel, uma nova escalada está em curso

25 de Março de 2019
Por Henry Galsky Sete pessoas foram feridas depois que um míssil palestino lançado de Gaza atingiu uma casa em MIshmeret na região central de Israel a 21 quilômetros ao norte de Tel Aviv (foto). Há agora expectativa de que milhares de reservistas israelenses sejam convocados.

Também há possibilidade de uma incursão terrestre em Gaza para responder ao ataque.

No final de semana, dois terroristas do Hamas que estão presos em Israel esfaquearam dois guardas. Palestinos realizaram ataques com explosivos em Gaza na fronteira com Israel. É provável que todos esses eventos estejam conectados.

Como escrevi durante a análise após o lançamento de dois mísseis sobre Tel Aviv, em 30 de março a tensão pode atingir seu ápice, já que o Hamas irá marcar um ano desde o início das manifestações violentas em Gaza intituladas de "A Grande Marcha do Retorno".

Todo este ambiente de escalada pode resultar num novo conflito aprofundado entre Hamas e Israel a menos de duas semanas da realização das eleições israelenses.

Novamente, da mesma forma como ocorreu depois do lançamento de dois mísseis a Tel Aviv, no dia 14 de março, dirigentes do Hamas se apressaram em dizer que o ataque desta segunda-feira ocorreu por engano. Na primeira vez, mesmo optando por responder militarmente, o corpo político e militar israelense deu a entender que acreditava na versão apresentada pelo Hamas, até porque foi possível interromper rapidamente a escalada de violência. 

Agora a situação parece distinta. Ao contrário do ocorrido no dia 14, houve feridos em Israel. E, como escrevi, a menos de duas semanas das eleições, eu não diria ser improvável, mas realmente impossível haver apaziguamento sem resposta mais intensa por parte do governo. 

O ambiente político está inflamado e há uma disputa feroz entre as duas forças principais neste momento; o Likud, de Benjamin Netanyahu, e a chapa Kahol Lavan (Azul e Branco) liderada pelo ex-chefe do Estado Maior do Forças de Defesa de Israel (IDF) Benny Gantz. 

Escrevi anteriormente sobre a polarização na política israelense. A sociedade já é bastante dividida em suas fidelidades e paixões. Agora ainda mais. Netanyahu acusa Gantz de ser de esquerda e “fraco” devido à inexperiência em cargos de liderança política. Gantz surfa na onda de acusações e investigação que pesam sobre o primeiro-ministro. 

Simultaneamente a isso, outros eventos relevantes continuam a ocorrer: a vitória concedida pelo presidente americano Donald Trump a Netanyahu ao reconhecer a soberania israelense sobre as Colinas de Golan; a disputa religiosa em Israel, com a ortodoxia em busca de manutenção de seu monopólio, enquanto o judaísmo progressista encontra eco entre boa parte dos judeus, inclusive na comunidade da diáspora mais importante, a dos EUA; a informação de que a Inteligência iraniana teria obtido acesso ao telefone celular de Benny Gantz, indiretamente, portanto, reforçando o discurso e o rótulo que Netanyahu tenta estabelecer sobre o seu adversário. 

Um novo conflito com o Hamas neste ambiente é como acender o isqueiro ao lado da bomba de gasolina. O ponto fundamental é até bastante simples de ser compreendido: não há nenhuma possibilidade deste ataque passar sem resposta (que já está em curso no momento de publicação deste texto). Resta saber sua extensão, tempo de duração, se a escalada se transformará no quarto conflito deste século entre Hamas e Israel e como tudo isso afetará os resultados nas urnas no próximo dia 9 de abril.