As mudanças na política externa brasileira - parte I

04 de Abril de 2019
Por Henry Galsky Em dezembro de 2017, a administração Donald Trump publicou um documento apresentando os itens que formariam as bases da política externa do governo americano. 

Alguns pontos abordados ao longo da Estratégia de Segurança Nacional (NSS, em inglês) se dedicam ao exame e reafirmação de que China e Rússia ameaçam diretamente a segurança e a prosperidade dos EUA. Ainda, o NSS reforça a importância da aliança com países parceiros de forma a conter o avanço dessas duas potências. 

No caso russo, em que pesem as suspeitas do envolvimento de Moscou no impulso à então candidatura Trump (suspeitas  negadas pelo relatório apresentado pelo procurador especial Robert Mueller em março), há evidente relação periódica de aproximação e distanciamento com Washington. Não apenas neste governo, mas também nas administrações anteriores. 

Faço esta introdução para, aí sim, contextualizar a mudança da política externa brasileira não somente após a ascensão de Bolsonaro, mas também logo na sequência da tomada de poder pelo grupo político comandado por Michel Temer. 

Sob o ponto de vista internacional, o governo Temer marcou um processo de transição - processo este que foi, de certa forma, involuntariamente iniciado por Dilma. A ex-presidente certamente se dedicou aos assuntos externos menos que Lula, a liderança brasileira que obteve resultados mais expressivos neste campo. Ao mesmo tempo, o segundo mandato da ex-presidente foi encurtado de forma dramática pelos acontecimentos já conhecidos e também analisados por aqui

Numa espécie de gradação não combinada, é possível perceber dois polos (Lula e Bolsonaro) de atuação cujas decisões foram "transportadas" - alterando-se o eixo internacional brasileiro de um lado a outro - por meio de dois presidentes intermediários (Dilma e Temer). 

Assim, no próximo texto, aprofundarei o exame que marca as muitas diferenças entre a política externa de Lula e Bolsonaro (como escrevi, os lados opostos das decisões internacionais brasileiras neste século) para além do lugar comum. 

Mas importante dizer que, muito possivelmente, para além das questões "filosófico"-religiosas hoje instaladas pela no Palácio do Itamaraty (foto), o NSS, documento divulgado pelo governo Trump de 2017 sobre o qual tratei neste texto, pode ter influência teórica sobre os rumos práticos das decisões que pouco a pouco começam a ser tomadas por Brasília.