Eleições israelenses: disputa acirrada e cálculos complexos

09 de Abril de 2019
Por Henry Galsky Os israelenses elegem seus representantes no Knesset, o parlamento. Não votam em lideranças, mas nos partidos. Esta peculiaridade - base do sistema parlamentarista - explica a complicação envolvida nas eleições deste dia 9 de abril. Dos 120 assentos do Knesset, as pesquisas conduzidas ao longo desta árdua campanha mostraram que, dos 39 partidos em disputa, dois deles já detinham cerca de metade das vagas. O tradicional Likud, liderado por Benjamin Netanyahu, com algo em torno de 30 cadeiras; e o principal bloco de oposição, o Kahol Lavan (Azul e Branco), liderado pelo ex-chefe do Estado Maior Benny Gantz - que as pesquisas mostravam deter também cerca de 30 assentos. Todos os demais partidos lutam pelas outras 60 cadeiras.

Há uma cláusula de barreira que concede representação no parlamento somente aos partidos que obtiverem votos suficientes para alcançar o mínimo de quatro deputados eleitos. E aí as pesquisas também apontaram uma disputa polarizada entre as legendas menores. Atrás de Likud e Kahol Lavan, o ressurgimento - em especial nas últimas semanas - do Avodá, o partido Trabalhista cujas bases ideológicas e respectivas lideranças mitológicas (David Ben Gurion e Golda Meir, por exemplo) deram as cartas nos rumos do país durante seus 30 primeiros anos. Depois de cair bastante, o Avodá pode voltar a ser a terceira força política. E se Gantz conseguir formar uma coalizão de governo, poderá exercer novamente papel importante.

Daí para baixo, há outras nove legendas que obtêm entre quatro (o mínimo, como expliquei) e sete cadeiras. Há dois partidos árabes - que em 2015 concorreram em conjunto mas agora decidiram se separar - que podem, somados, chegar a algo entre dez e 12 cadeiras. Mas esses partidos não costumam aderir a coalizões. Então não estarão em qualquer governo.

No final das contas, este é o complexo cenário envolvendo as eleições. Cabe ao presidente de Israel, Reuven Rivlin, determinar qual liderança partidária terá a oportunidade de buscar formar a coalizão e, assim, se obtiver sucesso, passar a ocupar o cargo de primeiro-ministro.

Normalmente, este caminho é relativamente óbvio. E o líder do partido mais votado após o processo eleitoral articula esta costura. Eu usei o termo "relativamente" porque já houve exceção. Há dez anos, em 2009, a então candidata Tzipi Livni terminou a votação como vencedora. Mas foi justamente Benjamin Netanyahu que conseguiu formar o governo ao conseguir arregimentar o número mágico de 61 deputados em sua base (metade do parlamento mais um).

Isso pode acontecer novamente. Principalmente diante deste quadro de profunda fragmentação. Assim caminha Israel para formar seu vigésimo-primeiro Knesset e seu trigésimo-quinto governo.