Por que o Sri Lanka?

29 de Abril de 2019
Por Henry Galsky O Estado Islâmico reivindicou a autoria dos ataques terroristas no Sri Lanka.

O EI perdeu a relevância na Síria. Perdeu o território quase integralmente para duas alianças muito fortes que combatem o grupo: de um lado, o ditador Bashar al-Assad apoiado pela Rússia, Irã, Hezbollah e milícias xiitas; de outro, os curdos que contam com o auxílio das tropas americanas.

De forma a esboçar relevância e, acima de tudo, manter os próprios membros motivados, talvez o EI tenha buscado um território onde ainda fosse possível realizar ataques dessa magnitude e com este impacto.

Hoje, Europa e EUA estão muito preparados em termos de segurança. Não que seja impossível fazer essas ações, mas é muito mais complexo.

Para um grupo enfraquecido depois de oito anos de luta intensa na Síria, foi preciso encontrar uma forma alternativa e talvez mais barata. Não que seja a resposta certa, mas é uma maneira de analisar.

Não apenas o EI mas as demais organizações terroristas estão sempre em busca de realizar ataques. Neste ambiente de grande alerta e preparação internacional, certamente os sistemas de defesa do Sri Lanka são muito mais frágeis.

Outra ambição desses grupos é atacar destinos que sejam atraentes para turistas de várias nacionalidades. Como foi o caso no Sri Lanka. Por isso já foram alvos de ataque um resort na Tunísia, as ramblas de Barcelona, Londres, Paris, Nova Iorque.

Outro aspecto do discurso do EI procura enquadrar os atentados contra igrejas no Sri Lanka como parte da vingança contra o ataque a uma mesquita na Nova Zelândia no mês passado. A ideia é realçar a "missão" de proteger os muçulmanos.

Este foi exatamente o mesmo argumento do grupo para conquistar a confiança e simpatia da população sunita iraquiana depois que o país estava destruído após a segunda guerra contra os EUA e já com Saddam Hussein morto.

A minoritária população sunita temia que a majoritária população xiita iniciasse um processo de vingança depois de 25 anos da ditadura de Saddam. No Iraque, inicialmente o discurso do EI funcionou. E parte dos sunitas encarou o grupo como única proteção diante das incertezas de um governo com xiitas ocupando os principais cargos.

É a esta mesma lógica que o EI apela mais uma vez.