A disputa pela repetição de padrões no conflito entre Hamas, Jihad Islâmica Palestina e Israel

06 de Maio de 2019
Por Henry Galsky Depois de o líder do Hamas Ismail Haniyeh se mostrar interessado num retorno ao estado de normalidade - ou seja,  interromper o novo ciclo de hostilidades -, Israel parece ter concordado com a proposta de cessar-fogo, muito embora, desta vez, o governo em Jerusalém tenha optado por mais cautela e menos divulgação do acerto que entrou em vigor e interrompeu a escalada de violência mais grave desde a guerra aberta entre o Estado judeu e o grupo terrorista em 2014. 

A questão é que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é a cada dia mais pressionado pelo público interno, em especial pela população que mora no sul do país, região mais atingida pelos quase 700 mísseis lançados por Hamas e Jihad Islâmica Palestina neste último final de semana. 

O ponto de vista da população do sul de Israel é de que Netanyahu permite a repetição da dinâmica estabelecida pelo Hamas: o grupo terrorista inicia o lançamento de mísseis, Israel contra-ataca, o Hamas pede um cessar-fogo, Israel aceita a proposta - até que um novo ciclo se repita mais adiante. 

Na prática, as últimas escaladas de violência mostram um padrão de provocação, conflito, cessar-fogo. Principalmente, fica evidente que é o Hamas quem detém o poder para começar e encerrar esses eventos.

A dúvida que se apresenta agora é se o primeiro-ministro israelense irá ceder novamente.

Como escrevi, é importante levar em consideração a proximidade do dia de independência do país e a realização do festival de música Eurovision. Os eventos são relevantes nesta análise e, segundo o jornalista Barak Ravid, foram abordados durante reunião do gabinete de segurança de Israel ocorrida no domingo.

De acordo com a fonte ouvida por Ravid, a posição fechada pelo gabinete de segurança de Israel é que a resposta militar ao lançamento de mísseis poderá prosseguir mesmo com os eventos em curso - o festival Eurovision e as comemorações pelo dia de independência.

E aí, pelo menos se a lógica for realmente essa, Israel terá alterado o padrão recente. Talvez Hamas e Jihad Islâmica Palestina tenham apostado num momento especialmente ruim, logo na sequência da reeleição de Benjamin Netanyahu.