Um duro golpe na trajetória de Benjamin Netanyahu

30 de Maio de 2019
Por Henry Galsky O parlamento israelense, o Knesset, optou pela própria dissolução. A vigésima-primeira formação parlamentar do país passa para a história como a de menor duração ao longo dos 71 anos de existência do moderno Estado judeu. No entanto, é preciso entender as particularidades que provocaram esta situação atípica e que provocam a segunda eleição geral num intervalo de apenas cinco meses. 

O ex-ministro da Defesa Avigdor Liberman é o agente e patrocinador desta situação de impasse. Por isso, virou alvo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que rapidamente tratou de acusá-lo de querer derrubar um governo de direita. Liberman, portanto, a partir desta lógica, seria de “esquerda”. 

Uma das possíveis explicações para a decisão de Liberman seria a ideia de que ele e seu partido, o Yisrael Beitenu, passem a protagonistas do próximo pleito eleitoral. Já há pesquisas indicando que a legenda pode obter até dez cadeiras no futuro parlamento, o dobro do cenário atual. Mas esse tipo de levantamento é precipitado. As pesquisas realizadas em abril apresentaram muitas diferenças em relação aos resultados oficiais. 

Outro aspecto interessante está relacionado à própria configuração da sociedade. Os judeus ortodoxos são minoritários, mas possuem influência significativa. Não apenas em relação ao recrutamento militar – todos os cidadãos a partir de 18 anos, inclusive as mulheres, são convocados a servir às forças armadas, exceto os ortodoxos – mas também sobre o funcionamento do transporte público no shabat, o descanso semanal judaico, entre outros assuntos de interesse geral. 

Para Liberman, ser considerado um representante da maioria dos judeus (que são seculares) não é um mau negócio. Especialmente se ele conseguir ao longo deste período pré-eleitoral manter a exposição e esta bandeira. 

Para Netanyahu, este é um dos anos mais complicados de sua trajetória política. As investigações sobre a sua conduta e a impossibilidade de conseguir formar a coalizão de governo são demonstrações de fraqueza, algo especialmente ruim a uma liderança política que tem se valido historicamente de um discurso que promove exatamente o oposto – confiança, habilidade e experiência para superar as divisões da sociedade. 

Ainda é precipitado afirmar que este é o ano da queda do primeiro-ministro mais longevo da história de Israel, mas é inegável que até agora 2019 apresenta poucos motivos para celebração.