Para superar impasse político, Israel realiza novas eleições

13 de Agosto de 2019
Por Henry Galsky No próximo dia 17 de setembro, os israelenses retornam mais uma vez às urnas para novamente tentar encontrar um governo capaz de formar maioria no Knesset, o parlamento do país. De forma objetiva, como sempre escrevo por aqui, é preciso que as forças políticas se unam para alcançar a maioria simples de pelo menos 61 deputados. 

E neste ponto a situação está muito complicada. Ainda não é possível imaginar um cenário claro onde desde já estejam definidos vencedores e perdedores. Mas há informações importantes a se levar em consideração; 

O 21º Knesset foi dissolvido em 30 de maio, no mês seguinte aos deputados tomarem posse. Os acontecimentos ocorridos na sequência do processo eleitoral de abril – extensamente abordados por aqui – deram a dimensão das muitas nuances e complicações envolvidas nas diversas disputas políticas locais. 

O parlamentarismo israelense é mais um ingrediente a complicar qualquer solução simplória, obrigando, portanto, muitas conversas e articulações de bastidores. O ano de 2019 tem se mostrado particularmente complexo em relação a isso. Pela primeira vez na história do país, o primeiro-ministro não conseguiu formar uma coalizão. 

Vale lembrar que Benjamin Netanyahu superou neste ano David Ben-Gurion, um dos fundadores do Estado judeu moderno, como o primeiro-ministro mais longevo da história até hoje. Se quiser seguir no cargo, Netanyahu vai precisar usar mais do que a habilidade política que lhe é peculiar. 

Agora, não será mais possível convocar novas eleições em caso de impasse. Será necessário encontrar um caminho para destravar o impasse. Isso não significa, no entanto, que o primeiro-ministro não seja o protagonista deste processo, muito pelo contrário. 

Em abril, já investigado por acusações de corrupção, a disputa eleitoral teve características de plebiscito. Isso não mudou. Mas agora é possível que Netanyahu seja obrigado a fazer concessões inimagináveis há quatro meses. 

Quando o ex-ministro da Defesa, líder do partido Yisrael Beytenu e ex-aliado histórico de Netanyahu Avigdor Liberman não aceitou permanecer na coalizão liderada por Bibi, o parlamento caiu e foram convocadas novas eleições. 

A partir disso, as discussões mais práticas em torno de propostas para o país foram deixadas de lado. Os partidos discordam entre si, mas todos chegaram à mesma conclusão óbvia (especialmente quando se trata do sistema parlamentarista): nunca foi tão importante buscar alianças, consensos, espaços de diálogo. E aí a corrida se tornou ainda mais política e matemática, apresentando aglutinações entre partidos com menos força (incapazes, portanto, de seguir adiante sozinhos). 

Neste momento o protagonismo ainda se sustenta sobre os dois principais partidos, os que tiveram boa performance na primeira rodada eleitoral de abril: o centrista Azul e Branco, do ex-chefe do Estado Maior Benny Gantz e do jornalista Yair Lapid; e a tradicional legenda de direita Likud liderada, claro, por Benjamin Netanyahu. 

Cada um desses partidos deve obter algo em torno de 30 cadeiras. E aí as demais legendas e o caminho de articulação vão ser fundamentais para alguma dessas lideranças - ainda tendo como foco Gantz e Netanyahu ou mesmo ambos - encontrar uma maneira de formar maioria e superar o impasse político em que o país se encontra desde maio.