Eleições em Israel: parte 1

17 de Setembro de 2019
Por Henry Galsky É cedo para fazer previsões, mas o que todo mundo já sabe é que há hoje em Israel uma sensação de absoluto impasse. É a mesma sensação que se transformou em realidade depois das eleições de abril, quando o parlamento recém-empossado acabou caindo no mês seguinte porque Benjamin Netanyahu não conseguiu formar a coalizão mínima de 61 membros do Knesset (entre os 120).

Desde maio, portanto, a campanha para a nova rodada eleitoral de setembro foi iniciada. Há cinco meses as pesquisas apontam um cenário que, se não houver uma surpresa gigantesca, deve se repetir. 

Sem assumir o risco de trabalhar com números precisos (o que seria irresponsabilidade de minha parte), é bem possível que o resultado seja o seguinte: o Likud, de Netanyahu, deve ficar com algo em torno de 30 cadeiras; o Azul e Branco, do ex-chefe do Estado Maior do Exército Benny Gantz, com algo parecido; a Lista Árabe Unida - união dos partidos árabe-israelenses - talvez seja a tarceira força política do país, com 12; e, um pouco abaixo, o fiel da balança de fato, o ex-aliado de Netanyahu Avigor Liberman, do Yisrael Beitenu (Israel A Nossa Casa), deve obter cerca de dez cadeiras. 

Liberman, que recentemente era o ministro da Defesa de Netanyahu, se transformou em seu principal adversário ao deixar o governo e precipitar as eleições de abril e, na sequência - depois de ter recebido cinco cadeiras na primeira votação - deixar a coalizão e novamente levar o país a esta nova rodada eleitoral. Em abril, Netanyahu chegou a formar uma coalizão limite de 61 parlamentares; Liberman a abandonou por não concordar com as alianças do governo que se opunham a uma de suas principais bandeiras: aumentar o percentual de judeus ortodoxos que devem, como o restante da população, se alistar nas forças armadas. 

Se as pesquisas se confirmarem - é sempre importante fazer esta ressalva -, Liberman poderá se transformar num dos principais vencedores deste processo, dobrando a participação de seu partido no Knesset, o parlamento israelense; de cinco cadeiras em abril para dez em setembro. 

Mais importante do que isso, Liberman poderá ser, como escrevi, o fiel da balança eleitoral; no somatório de cadeiras, o bloco de direita e o de oposição (formados pelo centro, pela esquerda e pelos partidos árabes) devem prosseguir no mesmo impasse de abril; ou seja, nenhum deles de maneira independente possivelmente conseguirá chegar ao número mágico de formar uma coalizão de ao menos 61 membros. Os árabes, como de costume, não irão se aliar a nenhum dos lados - por escolha própria, ficam de fora de qualquer governo. 

E aí Liberman pode apontar o caminho capaz de superar o impasse: um governo de união nacional formado pelo Likud (com suas 30 cadeiras ou pouco mais), Azul e Branco (o mesmo) e o Yisrael Beintenu (com dez). Se não houver grandes supresas, como escrevi, este pode ser o único caminho de forma a obter uma coalizão numericamente confortável com cerca de 70 membros e, portanto, uma maioria tranquila no Knesset. Por maioria tranquila me refiro unicamente às questões matemáticas porque há muitas outras perguntas e muitos outros embates entre seus futuros e eventuais membros.