Eleições em Israel - parte 2, o cubo mágico

18 de Setembro de 2019
Por Henry Galsky Depois das eleições de terça-feira, já há um cenário mais claro sobre a configuração política em Israel. E ele é muito similar ao apontado pelas pesquisas de intenção de voto. E, por isso, a análise que publiquei no dia da votação continua a valer. Os resultados eleitorais ainda não são definitivos porque é preciso aguardar a apuração dos votos dos soldados, funcionários do governo em atuação no exterior, etc. Mas o cenário não deve mudar muito. 

Um analista israelense comparou o esforço de formação de coalizão a um cubo mágico. É uma imagem bastante apropriada. Não me recordo do nome dele, erro meu. No entanto, por mais complexo e possivelmente longo o caminho a ser percorrido a partir de agora, há elementos importantes que indicam alguma forma de acomodação:

O primeiro deles, ninguém quer ser o responsável por precipitar uma eventual terceira eleição. Os custos são enormes, o processo é desgastante e, mais importante, seria difícil convencer os cidadãos a tomar parte numa nova votação diante da manutenção do impasse político. 

O segundo ponto: o presidente Reuven Rivlin tem papel fundamental na resolução do impasse. Após a apresentação dos resultados definitivos, os partidos se reúnem com o presidente e indicam qual liderança partidária deve ter a oportunidade de formar a coalizão de governo. A palavra final é de Rivlin. Tradicionalmente, o presidente indica o líder do partido mais votado. Se o resultado se mantiver, poderia indicar Benny Gantz, do Azul e Branco. 

O uso do futuro do pretérito se justifica: em 2009, Shimon Peres era o presidente. Tzipi Livni ocupava a liderança do Kadima, partido mais votado na ocasião. Mas Peres preferiu indicar justamente Benjamin Netanyahu por considerá-lo em melhor posição para formar uma coalizão de governo. Portanto, a possibilidade de Rivlin seguir o mesmo caminho não deve ser afastada em definitivo. Principalmente em função do cenário complicado.

Por ora, o bloco formado pelos partidos de direita detém 55 assentos no Knesset, o parlamento israelense. O bloco oposto, que reúne o centro, a centro-esquerda e os partidos árabes, está com 56. No entanto, a Lista Unificada - a aliança de partidos árabes que concorreu em conjunto, obtendo 13 assentos no parlamento israelense, a terceira maior força - não será parte de qualquer coalizão de governo. É uma decisão interna dos partidos árabes. Ou seja, como já havia escrito, a saída está com Avigdor Liberman e sua bancada de nove parlamentares. 

Liberman já declarou que entende o caminho de união nacional como a melhor forma de resolver o impasse. Inclusive, considerando o somatório de 64 deputados dos dois partidos mais votados - Likud e Azul e Branco - é possível a formação de uma coalizão majoritária sem a presença do próprio Liberman. No entanto, normalmente as lideranças políticas buscam coalizões mais amplas, com mais partidos. 

A ideia de um governo de união nacional envolvendo os três partidos - Likud, Azul e Branco e Yisrael Beitenu (Israel A Nossa Casa) - parece ser a melhor forma de construção de uma coalizão numericamente confortável com algo entre 70 e 74 parlamentares. 

Mas chegar a esta formalização não é simples. Por exemplo, Benny Gantz, líder do Azul e Branco, disse que aceitaria esta formação desde que Netanyahu deixasse a liderança do Likud; Liberman derrubou o governo Netanyahu e depois sua coalizão formada em maio, precipitando o processo atual; e Gantz tem Yair Lapid como companheiro de chapa com quem já havia combinado de dividir o mandato de primeiro-ministro. Num governo de coalizão com o Likud, possivelmente Gantz e Netanyahu (se houver acordo) irão revezar-se no cargo, deixando Lapid de fora.