Presidente de Israel decide dar chance a Netanyahu de formar coalizão

25 de Setembro de 2019
Por Henry Galsky E o presidente de Israel, Reuven Rivlin, deu ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a complexa missão de tentar formar a coalizão de governo com ao menos 61 membros do parlamento (a metade simples). 

A decisão de Rivlin foi técnica e analítica devido aos seguintes fatores: nas reuniões em que os partidos se encontram com o presidente como parte do processo eleitoral, 55 membros eleitos do Knesset indicaram Netanyahu como o líder partidário a buscar a formação da coalizão de governo; 54 membros indicaram Gantz, o líder do Azul e Branco que superou o atual primeiro-ministro por somente uma cadeira (33 a 32). 

Gantz recebeu inclusive a recomendação por parte de dez dos 13 parlamentares da aliança de partidos árabes (a Lista Unificada). Mas recomendação é diferente da formação de coalizão; apesar da recomendação a Gantz, os membros árabes do Knesset deixaram claro que não se unirão a qualquer coalizão de governo - mesmo a de Gantz. 

Ou seja, ao analisarmos os números, Netanyahu tem um bloco de parlamentares que já entrariam na coalizão: 55, distante apenas seis parlamentares da maioria simples. Gantz teria 44. Gantz está, portanto, numericamente mais distante de conseguir formar a coalizão mínima necessária de 61 parlamentares. 

A situação atual continua a ser a mesma de abril; a chave para a formação de governo está com Avigdor Liberman, líder do partido Yisrael Beitenu (Israel A Nossa Casa). Ele pode dar a Netanyahu mais um mandato, uma vez que seu partido conquistou oito cadeiras (com o eventual apoio de Liberman, Netanyahu chegaria a 63 cadeiras). 

Mas não é simples convencer Liberman. Vale lembrar, foi ele quem iniciou tudo isso ao deixar o governo. Foi ele também que provocou esta segunda eleição no ano ao deixar a coalizão de governo logo depois de formada ao fim da primeira rodada eleitoral. Como tenho escrito, Liberman pretende firmar-se como o líder da direita nacionalista laica. Por isso, recusa-se a tomar parte de um governo sustentado por partidos ultraortodoxos que compõem a coalizão de 55 membros já contabilizados por Netanyahu.

A decisão de Rivlin, portanto, não garante necessariamente a Bibi mais um mandato. É apenas a primeira parte do jogo.