O processo de impeachment de Donald Trump

02 de Outubro de 2019
Por Henry Galsky Há um volume cada vez mais relevante de informações que deixam o presidente norte-americano Donald Trump em posição desconfortável. Justamente faltando pouco mais de um ano para novas eleições - quando Trump pretende ser reconduzido ao cargo -, surgem duas denúnicas de pressão por parte do presidente sobre lideranças estrangeiras. O objetivo era obter elementos de autoridades internacionais que pudessem ser usados para enfraquecer adversários do presidente.

Segundo o relato mais recente, Trump teria pedido ao primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, para abrir investigações em seu país de forma a descredibilizar o relatório produzido nos EUA pelo conselheiro especial Robert Mueller III. O documento de Mueller tinha como objetivo descobrir se a Rússia teria interferido nas eleições norte-americanas em 2016 e se oficiais do país teriam conspirado com membros da campanha do então candidato Donald Trump. 

Apesar da investigação de Mueller ter resultado no indiciamento de 34 pessoas - sete das quais se declararam culpadas -, o procurador-geral dos EUA, William Barr, concluiu que não houve conluio por parte de Trump ou de seus funcionários de campanha com o governo russo. 

A denúncia anterior sobre Trump está diretamente relacionada ao processo eleitoral de 2020. Em conversa telefônica, o presidente pressionou o colega ucraniano, Volodymyr Zelensky, a investigar o pré-candidato democrata Joe Biden. Ex-vice-presidente dos EUA durante os mandatos de Barack Obama, Biden teria tentado influenciar um processo que poderia envolver seu filho, Hunter Biden. Hunter ocupava um assento no conselho da Burisma Group, companhia de energia ucraniana. 

O delator de Trump é um agente da CIA que trabalhava na Casa Branca. Trump teria condicionado a liberação da ajuda militar aos ucranianos - no valor de 400 milhões de dólares - ao prosseguimento das investigações sobre Biden. Como o ex-vice de Obama é um dos principais pré-candidatos do partido Democrata, a situação fica ainda mais complicada. A questão agora, além da verificação da denúncia, é aguardar para avaliar como ela será recebida por deputados e senadores. 

Há outro elemento que agrava a situação; de acordo com o delator, oficiais do governo Trump teriam tentado bloquear a transcrição da conversa com o presidente ucraniano removendo seu conteúdo do local de armazenamento rotineiro para carregá-lo num computador destinado às comunicações secretas, apesar de não haver qualquer sinal de que o diálogo com o presidente da Ucrânia merecesse este tratamento. Desta maneira, o delator acrescenta à denúncia inicial a tentativa de acobertamento por parte de pessoas próximas ao presidente. 

O processo de impeachment já está aberto. A Câmara dos Deputados é de maioria democrata. Há 235 democratas, 197 republicanos, um independente e duas cadeiras vagas. No Senado, a situação se inverte: 53 republicanos, 45 democratas e dois independentes. Para que o processo prossiga, são necessários 218 votos na Câmara dos Deputados. Se chegar ao Senado, o processo de impeachment se conclui com a remoção de Trump do cargo apenas se ao menos dois terços dos cem senadores acatarem a denúncia e votarem contra o presidente.