Netanyahu devolve ao presidente de Israel a missão de formação do governo

21 de Outubro de 2019
Por Henry Galsky Em meio a uma intensa movimentação de protestos em todo o mundo - Hong Kong, Chile e Líbano - a situação quanto ao futuro pós-eleitoral em Israel permaneceu durante 26 dias numa espécie de limbo. Usei o pretérito porque nesta segunda-feira um novo caminho pareceu se abrir. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu devolveu ao presidente Reuven Rivlin o direito concedido de tentar buscar a formação de um governo. 

Como escrevo por aqui com frequência, são necessários ao menos 61 membros do parlamento para que se consiga uma coalizão de governo de maioria simples. Netanyahu, líder do partido Likud que obteve 32 cadeiras nas eleições, fechou com 55 membros no Knesset - insuficiente, portanto, para alcançar novo mandato. Como estratégia, ao retornar a Rivlin, disse ter tentado de todas as maneiras alcançar um compromisso com Benny Gantz, o líder do partido Azul e Branco e seu principal adversário ao longo de 2019. 

Gantz se manteve firme na oposição a Netanyahu e não aderiu ao projeto do primeiro-ministro de formar um governo de união nacional. O Azul e Branco tem como propósito de fundação a vitória sobre o longevo primeiro-ministro. No entanto, o próprio Gantz não será capaz de levar adiante este projetode sozinho. Talvez precise de membros do próprio Likud de Netanyahu para isso. 

Gantz terá 28 dias para buscar incluir ao menos 61 membros em sua aliança. Mas desde já conta com 44 cadeiras, número ainda mais distante do que o do bloco de Netanyahu. Talvez por isso a saída de Gantz seja aceitar a primeira proposta do presidente Rivlin: a formação de um governo de união nacional com o primeiro-ministro. É confuso entender essa estratégia porque soa como um jogo de soma zero. Por que, afinal de contas, Gantz aceitaria agora a mesma proposta que lhe foi feita e recusada tantas outras vezes nos últimos 26 dias? 

Porque há um importantíssimo elemento externo a seu favor; a aposta de Gantz - se de fato ele optar por este caminho - deve ser a de levar até o último dia o prazo de 28 dias que terá enquanto aguarda a decisão do procurador-geral Avichai Mandelblit quanto ao indiciamento de Netanyahu em três casos nos quais é investigado. Se isso se confirmar, o governo de união nacional entre Netanyahu e Gantz teria duração mínima, já que Bibi deverá se afastar do cargo para se defender. 

Se a estratégia e as previsões de Gantz se confirmarem, ele assumiria no lugar do rival sob o título de "primeiro-ministro interino", sendo este último item apenas um adjetivo vazio sem qualquer efeito prático. Talvez este seja o caminho escolhido por Gantz de forma a encurtar a convivência política sob o comando do atual primeiro-ministro. E aí estaria explicado o porquê de o líder do Azul e Branco protelar de tal forma a decisão e recusar com tanto afinco as investidas de Netanyahu em sua busca pela formação de um governo de união nacional. 

No final dessa história que se arrasta ao longo do ano, se tudo correr da maneira como parece planejar, Gantz poderá depender da decisão do procurador-geral Mandelblit para se tornar primeiro-ministro.