Em nova escalada de violência, Israel e Jihad Islâmica Palestina entram em confronto

12 de Novembro de 2019
Por Henry Galsky Entre a madrugada e a manhã de terça-feira, Israel eliminou o comandante da Jihad Islâmica Palestina (PIJ), Baha Abu al-Ata, responsável pelo lançamento de centenas de mísseis sobre o território israelense - protagonista das duas mais recentes escaladas de tensão entre Israel e Gaza.

A operação conjunta entre a Força Aérea e o Shin Bet, o serviço de segurança, matou Ata e a mulher enquanto dormiam. O ataque de precisão que levou à eliminação do terrorista levantou questionamentos quanto à possibilidade de Israel retomar a política de assassinatos seletivos.

No entanto, autoridades de Israel publicamente já afirmaram que isso não irá ocorrer, um recado claro de forma a acalmar os membros do Hamas, o grupo terrorista que controla a Faixa de Gaza desde 2007.

A atuação militar de Israel durante a madrugada parece não ter se restringido a Gaza. Aparentemente, os israelenses também foram até a Síria, onde também buscaram eliminar - mas não conseguiram - Akram Ajouri em Damasco. Ajouri é o responsável pela coordenação tática da PIJ entre a Síria e a Faixa de Gaza.

Como tenho tentado explicar ao longo dos textos, ações como essas já são parte da guerra mais ampla entre Israel e o Irã. Os objetivos de israelenses e iranianos não são apenas contrários, mas excludentes. Israel não permitirá que os iranianos estabeleçam bases e possam confrontar o país ao longo de suas fronteiras. 

Mas o capítulo deste novo enfrentamento parece ter mensagem direcionada à PIJ. E indiretamente ao Hamas. Baha Abu Ata já estava no alvo de Israel desde a rodada de enfrentamentos de maio deste ano, quando em menos de dois dias os grupos terroristas baseados em Gaza lançaram 700 mísseis sobre Israel. 

Em meio a tantas contradições, é preciso fazer duas afirmações distintas; a primeira delas, o Irã é o principal financiador da PIJ. No entanto, ao que parece, Ata agia como uma célula independente aos iranianos. Não necessariamente cumpria as ordens de Teerã. 

Aqui cabe fazer um esclarecimento mais amplo sobre os grupos em atuação em Gaza e suas relações com os iranianos: Hamas e PIJ recebem recursos e armamento do Irã. Mas é a PIJ, apesar de sunita (ao contrário dos iranianos que são xiitas), que tem como inspiração fundamental os ideais da Revolução Islâmica Iraniana de 1979. A PIJ não toma parte do processo político.

Para deixar ainda mais claro: Hamas e PIJ não pretendem igualmente criar um estado palestino ao lado de Israel. Ambos mantêm a agenda de destruição do Estado judeu. No entanto, a PIJ, diferentemente do Hamas, não participa do processo político interno palestino.

Nesta terça-feira, depois de mais de 150 mísseis lançados sobre Israel, resta saber se este novo enfrentamento será levado adiante. E também como o Hamas se comportará a partir do fato novo de não ser, num primeiro momento, o protagonista dessa escalada de violência. Muito embora, como autoridade que controla Gaza, acabará implicado de qualquer maneira.