As primárias do partido Democrata e o início da corrida pela presidência norte-americana

11 de Fevereiro de 2020
Por Henry Galsky Por mais que o caucus Democrata do estado de Iowa tenha sido confuso - para usar um termo suave - este processo que não tem paralelo no Brasil é cada vez menos comum na disputa pela indicação do partido. Apenas três dos 50 estados norte-americanos ainda usam o sistema. Ele chama a atenção porque aparece logo em dois dos quatro primeiros palcos da corrida Democrata: Iowa e Nevada.

A lentidão para apurar resultados e a decisão de adotar um aplicativo de mal funcionamento por parte do Comitê Nacional Democrata provocaram temores quanto à possibilidade de manipulação eleitoral.

Esta é a sombra que paira sobre as democracias ao redor do mundo. De 2016 para cá, uma série de denúncias envolvendo a Rússia, as fakenews personalizadas, bancos de dados construídos a partir do Facebook e, claro, a empresa Cambridge Analytica. Este emaranhado de relações foi objeto de análise por aqui ao longo deste período.

Além disso, tudo o que ocorreu passou a estar no topo da lista das preocupações das democracias. A ascensão de Donald Trump nos EUA acendeu o alerta mundial. Inclusive internamente, onde houve investigação sobre as denúncias de conluio com um governo estrangeiro. No caso, com a Rússia. 

Desde maio de 2017, a acusação de interferência dos russos na corrida presidencial norte-americana do ano anterior foi objeto de investigação do procurador especial Robert Mueller. Ao longo de três anos, a produção de relatórios e documentos acabou por se conectar com a a denúncia de que Trump teria ameaçado o governo ucraniano de suspensão da ajuda muilitar, caso o país não investigasse o ex-vice-presidente dos EUA, Joe Biden - favorito a obter a indicação Democrata -, e seu filho Hunter. 

É natural a preocupação dos membros do partido Democrata, uma vez que o candidato vencedor deste processo interno vai precisar desafiar justamente o presidente do país em busca da reeleição.

O senador Bernie Sanders ocupa a posição de principal opositor a Trump. Mas é difícil cravar que seja o mais forte entre os pré-candidatos, uma vez que o sistema eleitoral dos EUA não permite a aposta cega em qualquer nome e as pesquisas continuam a apontar Biden como favorito.

No entanto, é evidente a popularidade do senador Sanders. Em 2016, despontou como candidato pop e quase venceu a então favorita Hillary Clinton. Mesmo derrotado, Sanders permaneceu ativo ao longo dos últimos quatro anos. Por isso, aumentou seu capital político e é possível considerá-lo como alguém de peso para desafiar Trump. Isso não quer dizer, de nenhuma maneira, que será escolhido como o candidato Democrata. A corrida pela indicação ainda está no começo, mas Sanders é o concorrente mais popular, uma vez que passou quatro anos colocando o dedo nas muitas feridas da gestão de Donald Trump. 

Neste momento, de acordo com a média de pesquisas reunidas pelo portal Real Clear Politics, Joe Biden, o ex-vice-presidente de Barack Obama, permanece como favorito entre os Democratas, liderando a disputa do partido com 5,2 pontos de vantagem sobre Bernie Sanders.