A força da candidatura de Bernie Sanders entre os Democratas

21 de Fevereiro de 2020
Por Henry Galsky Apesar de a corrida pela nomeação do candidato Democrata ainda estar no começo, o sendor Bernie Sanders aparenta ser o que mais tem condições de aglutinar o partido neste momento. Há números a embasar esta impressão. 

De acordo com pesquisa realizada pelo Quinnipiac University Polling Institute, numa eventual disputa entre Sanders e o presidente Donald Trump os apoiadores dos demais candidatos do partido Democrata votariam no senador; 98% dos apoiadores de Elizabeth Warren, 97% entre os entusiastas de Pete Buttigieg, 92% dos de Joe Biden e 83% dos que apoiam Michael Bloomberg. É claro que esta grande demonstração de força é até bastante óbvia, na medida em que se trata de pesquisa interna e do fato de Donald Trump estar do outro lado do espectro político-ideológico

Mas Sanders é também o candidato com quem os Democratas mais dizem compartilhar valores, de acordo com pesquisa do jornal USA Today. 

O portal de política Real Clear Politics faz acompanhamento de todas as pesquisas e levantamentos. E, na média entre todos os questionários internos do partido Democrata, Sanders já tem dez pontos percentuais de vantagem sobre Joe Biden (27,8% contra 17,8%). 

No entanto, é importante levar em consideração um dado fundamental para se compreender o processo de escolha entre os Democratas; as quatro primeiras disputas do partido (Iowa, New Hampshire, Nevada e Carolina do Sul) representam apenas 4% do total de delegados - que, no final das contas, decidem a indicação do partido. 

Por isso, mesmo os mais animados precisam ter calma. A nomeação de Bernie Sanders ainda não está garantida. 

É curioso observar o fenômeno Sanders. Aliás, é até bastante previsível que essa onda de excitação esteja ocorrendo. Como já escrevi em textos anteriores, o senador obteve popularidade - e a manteve - durante a processo de seleção Democrata em 2016, quando foi derrotado internamente por Hillary Clinton. 

Sanders foi esperto o bastante para se manter ativo desde este momento. A vitória de Trump nas eleições nacionais acabou por ajudá-lo neste processo de construção de seu nome como principal opositor ao presidente. 

O senador é socialista e judeu, defende acesso universal a atendimento médico (sim, essa é uma questão em debate nos EUA, vale dizer), o perdão a dívidas contraídas por estudantes, aumento dos impostos, especialmente dos mais ricos, dentre outras medidas. A nomeação de Sanders pelos Democratas representa a realização da polarização mais extrema nos EUA. 

Se a disputa entre Trump e Hillary foi marcada pela violência e pela rispidez entre os adversários, a tendência é que um confronto eventual entre Sanders e Trump supere todos os limites conhecidos. Mesmo porque há novas denúncias de envolvimento da Rússia, desta vez para manter Donald Trump na presidência. E certamente Sanders vai botar o dedo na ferida, claro.