Os muitos e repetitivos elementos que marcam a terceira eleição em Israel

02 de Março de 2020
Por Henry Galsky A conta que determina a formação de um governo majoritário em Israel permanece a mesma, apesar do terceiro pleito eleitoral em menos de um ano: ou algum candidato será capaz de obter uma coalizão de ao menos 61 membros do Knesset, o parlamento do país, ou será preciso buscar caminhos alternativos.

Dentre esses caminhos, um governo de minoria - possível, mas frágil - ou a tragédia política óbvia representada pela necessidade de uma quarta eleição.

As pesquisas apontam cenários muito parecidos aos que levaram o país a seu momento mais dramático sob o ponto de vista da matemática que acompanha a natureza do sistema parlamentarista.

O Likud, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, está em empate técnico com seu adversário mais feroz, Benny Gantz, ex-general e ex-chefe do Estado Maior das Forças Armadas (entre 2011 e 2015).

Gantz comanda o partido Azul e Branco, legenda criada basicamente para desafiar a histórica liderança de Netanyahu, primeiro-ministro mais longevo de Israel e que ocupa o cargo desde 2009.

As diferentes pesquisas apontam Azul e Branco e Likud se alternando na dianteira. Cada um obtém entre 33 e 35 cadeiras.

A terceira força política de Israel é a aliança formada por quatro partidos árabes chamada de Lista Unificada, que deve conquistar entre 13 e 15 cadeiras. Na sequência, a união entre os partidos de esquerda Meretz, Gesher e Trabalhista deve emplacar nove parlamentares.

Depois deles devem aparecer Yahadut HaTora (Judaísmo da Torá, partido ultraortodoxo com foco no público ashkenazi) com oito cadeiras; Shas, partido ultraortodoxo do público sefaradi, que possivelmente vai conquistar oito cadeiras; Yamina, a aliança entre partidos de direita que deve emplacar sete parlamentares; e, se não houver nenhuma surpresa, o Yisrael Beitenu, partido da direita nacionalista laica e que se opõe à influência dos grupos religiosos na sociedade, deve levar seis cadeiras.

Este é o retrato do impasse eleitoral; não há, no momento, possibilidade de Netanyahu ou Gantz, os líderes dos dois maiores partidos, conseguirem formar uma coalizão majoritária.

A Lista Árabe Unificada não participa - por escolha própria - de qualquer formação de governo. Como já aconteceu na segunda eleição realizada no ano passado, o grupo pode até indicar Gantz para tentar formar a coalizão antes de Netanyahu, mas isso não é adesão ao governo, vale explicar essa questão que muitas vezes não fica clara.

As últimas pesquisas têm apresentado crescimento do Likud e redução do Yisrael Beitenu, de Avigdor Liberman. O líder do Yisrael Beitenu tem a chave para resolver o impasse. Se a configuração apresentada pelas pesquisas se confirmar, seus seis parlamentares dariam à coalizão de Netanyahu finalmente as cadeiras necessárias para a formação de governo.

Mas Liberman já disse que com Netanyahu como cabeça de chapa - e, portanto, como primeiro-ministro -  isso não vai acontecer. A ideia de Liberman é pôr na conta de Bibi (e não permitir que Bibi coloque na sua própria) a responsabilidade pelo prolongamento da crise política. Liberman também pressiona de fora a oposição que Netanyahu enfrenta internamente no Likud.

Diante de vazamentos de áudios de todos os lados, promessas de anexação do Vale do Jordão, corrida eleitoral nos EUA, dúvidas quanto às possibilidades de implementação do Acordo do Século divulgado por Donald Trump e a proximidade do início do julgamento de Benjamin Netanyahu (marcado para 17 de março), os israelenses vão às urnas novamente precisando de soluções criativas para, finalmente, conseguir formar um governo.