O presidente de Israel concede a Benny Gantz o direito de tentar formar o novo governo

16 de Março de 2020
Por Henry Galsky Depois da terceira rodada eleitoral, o presidente do país, Reuven Rivlin, concedeu ao líder do principal partido de oposição, Benny Gantz, o direito a tentar finalmente formar uma coalizão de governo. Há algumas particularidades do processo que merecem explicação.

Gantz recebeu indicação de 61 membros eleitos do Knesset, o parlamento. Deste total, 15 são árabes-israelenses. A Lista Unificada, chapa que reuniu quatro partidos árabes que concorreram conjuntamente, obteve votação expressiva e passou a representar a terceira principal força política de Israel.

Mas vale explicar alguns aspectos fundamentais: a recomendação de 61 membros do Knesset não significa que Gantz conseguirá formar coalizão com todos esses parlamentares, o que lhe daria, portanto, a maioria simples necessária para tirar o país do impasse que dura mais de um ano.

É muito improvável que os 15 parlamentares árabes e os sete parlamentares do Yisrael Beitenu entrem juntos numa mesma coalizão. Vale lembrar que o líder do Yisrael Beitenu, Avigdor Liberman, é um dos principais responsáveis pelo entrave político que ainda não está resolvido. Depois da primeira eleição, em março de 2019, ele entrou e saiu do governo formado por Netanyahu, provocando a segunda rodada eleitoral. Uma das principais preocupações de Liberman agora é impedir que o grande público tenha exatamente esta percepção. Por isso quer evitar a quarta eleição a qualquer custo.

E aí passo ao último ponto: o coronavírus entrou no jogo político. Em função da doença, o julgamento de Netanyahu foi adiado até 24 de maio. E, também por causa do grande impacto causado pelo vírus na sociedade israelense - e em todo mundo -, Liberman sugeriu a formação de um governo de união nacional de emergência para lidar com a crise.

Mesmo que Gantz tenha recebido o direito de tentar formar a coalizão, esta solução ainda não está totalmente afastada. Como não terá maioria, Gantz pode buscar o estabelecimento de um governo minoritário apoiado de fora pelo Yisrael Beitenu, de Liberman, e pela Lista Unificada, a chapa conjunta de partidos árabes. São essas as soluções possíveis de modo a impedir a realização de uma quarta rodada eleitoral.