A corrida presidencial nos EUA e as distintas formas de abordagem política à crise

04 de Maio de 2020
Por Henry Galsky, de Israel E meio à pandemia, tudo ficou para depois na lista de prioridades. Na política também tem ocorrido desta forma. Muito embora este seja um ano muito importante no cenário internacional. Um dos eventos que parecem estar andando lentamente é a cobertura da corrida presidencial norte-americana. Mas vale dizer que, a princípio (todas as certezas estão flexibilizadas), haverá eleições nos EUA no dia 3 de novembro de 2020. 

O assunto ficou meio esquecido - por razões óbvias -, mas já sabemos que os dois concorrentes estão definidos. Joe Biden, pelo partido Democrata, e Donald Trump, pelo partido Republicano, que busca a reeleição. Neste processo, Biden já precisa enfrentar - para além dos métodos peculiares aplicados pela equipe envolvida na campanha de Trump, como ocorreu em 2016 - acusações de assédio sexual por parte de Tara Raede, ex-funcionária de seu gabiente no período em que foi senador. O assédio teria ocorrido enquanto ela trabalhava com Biden em 1993. Biden nega. 

O fato é que a acusação é forte. Especialmente a um candidato Democrata. Por enquanto, mulheres importantes do partido e do cenário político norte-americano permanecem ao lado do ex-vice-presidente. A ex-secretária de Estado e última candidata Democrata à presidência, Hillary Clinton, deu apoio público ao colega. O mesmo ocorreu com a ex-candidata a governadora do estado da Geórgia Stacey Abrams. A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, seguiu o mesmo caminho. 

O caso de Stacey Abrams é especial. Em março, Joe Biden prometeu escolher uma mulher para concorrer como vice-presidente em sua chapa. Abrams é uma das principais apostas para preencher a vaga.

Mas a denúncia contra Biden pode vir a ser um problema mais sério. Se ganhar força e se novos elementos vierem à tona, a base feminina de apoio ao candidato Democrata pode ficar dividida. Ainda mais neste momento político. Mas não se pode afastar a possibilidade de ser escolhido um caminho de pragmatismo. Afinal de contas, num processo eleitoral bipartidário, há outros aspectos a se considerar. Principalmente porque há polarização nos EUA também. E a alternativa a Biden é, de forma muito prática, conferir mais um mandato de quatro anos a Trump. Este é um fato que certamente será considerado central no processo de tomada de decisão pelo eleitorado. 

Neste momento, a situação do atual do presidente Trump não está lá das melhores. Mesmo tendo alcançado a melhor avaliação de seu governo, de acordo com o instituto de pesquisa Gallup (49%). Mas isso não se reverte em apoio capaz de, neste momento, virar o jogo na corrida presidencial de novembro. 

Pesquisa do USA Today/Suffolk apresenta cenário negativo a Trump. De acordo com a pesquisa, Joe Biden lidera por dez pontos percentuais (50% a 40%), uma reviravolta em relação a dezembro, quando o atual presidente vencia Biden por três pontos.

Mesmo em relação à aprovação, os levantamentos não são unânimes. De acordo com pesquisa da Rasmussen, o quadro é bem diferente ao que apresentei acima (o estudo do Gallup). Para a Rasmussen, a desaprovação a Trump supera a aprovação em dez pontos (54% a 44%). 

A questão é que Trump está mais exposto do que nunca. Se obtivesse boa avaliação do eleitorado quanto ao modo como conduz o país neste período de crise, a eventual aprovação poderia tornar mais tranquilo seu caminho em busca da reeleição. A superexposição, portanto, pode ser considerada uma benção ou uma maldição, a depender da habilidade do governante nesses tempos de crise e desafios sem precedentes. 

Como este espaço analisa com frequência as questões do Oriente Médio, faço paralelo com Israel, onde o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conseguiu aumentar sua popularidade neste momento - apesar de investigado por corrupção -, caminhando para encerrar o impasse político no país. 

Donald Trump e também Jair Bolsonaro são bons exemplos de resultados opostos. Ambos parecem pouco interessados em deixar de perder qualquer oportunidade de deixar de errar.