Horas antes do encerramento do prazo final, parlamento israelense evita a quarta eleição

24 de Agosto de 2020
Por Henry Galsky, de Israel Novamente, desta vez já nos acréscimos, os parlamentares israelenses conseguiram evitar o que seria o quarto processo eleitoral no período de pouco mais de um ano. O dia 24 de agosto marcava a data final para a aprovação do orçamento de 2020. Sim, você não leu errado; o orçamento anual ainda não foi aprovado, principalmente em função das disputas políticas que permanecem - e, na verdade, se acentuaram - desde a formação do governo de coalizão entre os dois principais nomes da política do país (ao menos até agora): o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seu vice, que também acumula a pasta da Defesa, Benny Gantz. 

A fórmula encontrada para impedir novas eleições ainda não é exatamente uma solução, mas uma prorrogação por mais cem dias da data limite para a aprovação do orçamento deste ano.

A verdade é que levar a população às urnas mais uma vez não interessa a ninguém; Netanyahu vem caindo nas pesquisas (enquanto a oposição cresce), as manifestações contra o primeiro-ministro e contra a gestão do governo durante a crise têm se tornado rotineiras, o custo financeiro para realizar novas eleições é elevado - e inclusive os empregadores deixam claro que não dariam folga a seus funcionários em caso de novo pleito. Neste ponto, vale lembrar que o voto não é obrigatório. 

Outro aspecto a ser levado em consideração é o fato de que este é um governo de coalizão que nasceu a partir de discursos dos dois lados opostos (Netanyahu e Gantz) de que a união se faria necessária durante a crise causada pela pandemia. E aí empurrar o país de volta às urnas seria, também, uma maneira de amplificar a percepção quanto ao fracasso político da empreitada. E, mesmo com toda a propaganda de cada lado, seria bem complicado ter sucesso a ponto de transferir integralmente ao adversário toda a responsabilidade pelo fim da coalizão. Ainda mais porque, nesses tempos de crise, as pessoas se manifestam também sob o slogan de que os políticos estão "desconectados" da realidade. 

Ou seja, neste ambiente em que a crise também marca profundas desconfianças quanto aos representantes políticos, é evidente que a resposta nas urnas não seria positiva às lideranças que hoje conduzem o país e que teriam sido também incapazes de manter o governo. E aí ocorre normalmente um fenômeno similar ao futebol: numa eliminação importante, normalmente os jogadores mais experientes são também os que ficam mais marcados pela derrota. É improvável que Netanyahu e Gantz terminassem este processo de maneira impune sob o ponto de vista político. 

No próximo texto, apresentarei o resultado de uma pesquisa recente que aponta para uma mudança de cenário.