A pior crise enfrentada por Netanyahu

27 de Outubro de 2020
Por Henry Galsky, de Israel Israel é um dos países - entre tantos outros - cuja crise causada pela pandemia aprofundou as divisões políticas. O estrago econômico é um dos componentes centrais das manifestações que se realizam por todo o território e também o histórico de oposição a Benjamin Netanyahu, um primeiro-ministro de mandato extenso (desde 2009 no cargo sem interrupções) numa sociedade em que a discussão política é parte integrante da identidade nacional. 

Neste momento, a pandemia parece ter o poder de enfraquecer o Likud, o partido liderado por Netanyahu, como há muito não se via. A legenda, que hoje mantém 36 parlamentares no Knesset, cairia a 27 de acordo com as pesquisas publicadas pelos canais 13 e 12. O problema para Netanyahu e o Likud não é apenas este. A queda de cadeiras está acompanhada pelo crescimento de um adversário cada vez mais poderoso: o ex-aliado e ex-ministro da Defesa Naftali Bennett. 

Bennett é uma figura carismática, ativa e presenta na vida política israelense. Sua trajetória remonta ao ano de 2006, quando entrou na política logo após a Segunda Guerra do Líbano, confrontro entre Israel e o grupo terrorista Hezbollah. Líder do Yemina, o ex-ministro da Defesa é um adversário complicado a Netanyahu - e por isso tem sido alvo permanente de seus ataques - porque não pode ser rotulado como alguém de esquerda, muito pelo contrário. O nome da legenda de Bennet inclusive quer dizer "À Direita", não deixando qualquer margem para dúvida. 

Naftali Bennet se consolida na cola de Netanyahu a cada nova pesquisa. De acordo com os dois levantamentos mais recentes dos canais 13 e 12, alcançaria 24 e 22 cadeiras no Knesset, respectivamente. A vice-liderança está garantida neste momento. 

Não se sabe exatamente quando haverá novas eleições por aqui. Mas é improvável que demorem muito mais. O ambiente político é instável e a crise, indiscutível. Pandemia, investigações sobre os casos de corrupção envolvendo Netanyahu, manifestações populares e uma coalizão de governo muito instável (muitos dizem haver dois governos trabalhando paralelamente e em permanente confronto) são elementos que garantem a queda desta formação parlamentar. Trata-se, portanto, de uma questão de tempo. 

Pela primeira vez, a situação ficou realmente ruim para Netanyahu. Sim, porque se a coalizão seguir adiante e novas eleições não forem realizadas, ele precisará cumprir o acordo firmado com seu vice e ministro da Defesa - e trocar de posição com Benny Gantz, que então passaria a assumir o cargo de primeiro-ministro em novembro de 2021. 

Se tal como ocorreu durante a primeira onda o governo tivesse uma boa imagem quanto à competência do gerenciamento da crise, possivelmente as pesquisas apontariam resultados distintos - e Netanyahu poderia interromper a coalizão atual em busca da realização de novas eleições que o fortelecessem no parlamento e o permitissem se livrar do acordo firmado com Gantz. 

Agora, no entanto, a situação é completamente diferente. E o primeiro-ministro mais longevo da história de Israel se vê diante de duas amargas opções: entregar o cargo a Gantz no ano que vem ou tentar a sorte num novo pleito mesmo com um cenário que não o favorece de forma alguma. O caminho do meio é jogar com o tempo, tentar melhorar o gerenciamento da crise e reaquecer a economia israelense em busca de aproximação aos dados anteriores à devastação causada pelo Corona. Qualquer das escolhas impõe muitos desafios a Netanyahu. Este é, sem nenhuma dúvida, o momento mais complicado da carreira política do primeiro-ministro desde que assumiu o cargo em 2009.