O início de uma reviravolta política em Israel

Por Henry Galsky

Na manhã desta quarta-feira, uma notícia capaz de mudar o cenário político acordou os israelenses: a parlamentar Idit Silman, do partido Yamina (legenda liderada pelo primeiro-ministro Naftali Bennett), anunciou a decisão de deixar a coalizão declarando-se pronta para trabalhar pela formação de um novo governo.

A coalizão atual – cujos membros pertencem a partidos de esquerda, direita, centro e também de um dos partidos árabes do país – era sustentada até o anúncio de Silman graças a uma maioria mínima obtida no Knesset, o parlamento de Israel. No sistema político do país, os governos se mantêm de pé a partir do apoio de pelo menos 61 parlamentares (são 120 cadeiras no total). Agora, a coalizão conta com 60 parlamentares.

Há rumores de que a decisão de Silman marca apenas o início da sangria e que este caminho pode ser seguido por outros parlamentares.

Ainda é cedo para afirmar se o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu poderia ser o principal beneficiado, principalmente porque ele mesmo enfrenta oposição interna na disputa pela liderança de seu partido, o Likud. No entanto, Netanyahu, que é julgado em três diferentes casos de corrupção, comemorou a decisão de Idit Silman em seu pronunciamento durante a sessão do Knesset.

De acordo diversas fontes ouvidas pela imprensa israelense, a parlamentar estaria encaminhada para se filiar ao Likud e aderir ao campo da oposição. Existiria inclusive a possibilidade de ela ser nomeada ministra da Saúde num eventual novo governo.

No entanto, apesar dos esforços liderados pelo próprio Netanyahu, substituir o governo atual não será um processo automático. Antes será preciso obter ao menos 61 votos (dos 120 disponíveis no parlamento) de forma a dissolver o Knesset. Atualmente, a oposição liderada pelo Likud conta com 52 parlamentares. Há neste momento – e será assim a partir de agora – uma intensa operação de convencimento em busca de novos desertores da coalizão de governo.

Importante lembrar que dentre os 120 parlamentares israelenses há também dez representantes eleitos de partidos árabes; seis deles que estão de fora do coalizão; e quatro que são membros do governo liderado por Naftali Bennett. Menciono esses dados porque é improvável que eles se associem a Netanyahu em qualquer cenário: seja aderindo à uma nova formação de governo, seja apoiando os planos do ex-primeiro-ministro. O que é possível no caso dos parlamentares árabes é que eles votem pela dissolução do Knesset e pelo estabelecimento de novas eleições.

Caso isso aconteça e ocorra a dissolução do parlamento, o processo exige que o atual ministro das Relações Exteriores, Yair Lapid, seja nomeado primeiro-ministro durante o período transitório entre a realização de novas eleições e o estabelecimento de um novo governo.

A sociedade israelense tem se mostrado profundamente dividida em suas escolhas eleitorais; em 23 de março de 2021, os israelenses foram às urnas pela quarta vez num período dois anos. Até aquele momento, quatro eleições não haviam resultado na formação de governos minimamente estáveis. Caso de fato a atual coalizão liderada por Naftali Bennett não consiga se sustentar, o atual governo terá fracassado em seu projeto fundamental: unir os opositores a Netanyahu em nome do pragmatismo. O governo de Bennett tomou posse em junho do ano passado.

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